Thursday, December 13, 2012

one day

Aqui e agora tudo parece muito (demasiado) próximo. Espreito sem qualquer direito por entre janelas entreabertas a vidas privadas. Não pode ser. Agora é real. 
E retraio-me num instinto reptiliano. 
Há que encontrar realidades que não ofendam, carinhos que não machuquem, acções que não destruam. Não há direito. Tudo o que vem depois disso é que terá de estar errado.
Tem de correr espontâneo o livre arbítrio do desejo, ele não pode ser feio ou inoportuno. Têm de se inventar racionalidades e pragmatismos que, no dia a dia, nos proíbam de viajar em conjecturas.
Apenas queremos ser amados. Queremos ser acarinhados e admirados, compreendidos e observados como realmente somos, belos, puros, livres. Queremos essa beleza por outros olhos. 
Se o amor nos cega para o mundo, então porquê é que um dia, um dia tão vulgar como outro qualquer, nos clareia a visão para tudo o que nos rodeia? E o que distingue  aquilo que queremos daquilo sem a qual não podemos passar? Para mim, só pode ser a última. Mas a última não cabe neste mundo de obrigações, deveres, regras e horários, porque as coisas têm de dar jeito, ser práticas e ficar em caminho. Tão inconveniente é a paixão que a agendamos para um dia mais livre.
Um dia ela chega e nós estamos preparados. 
Um dia, não temos escolha. 


Sunday, December 9, 2012

E só agora? Cresceste? Tens todas as respostas? Terás feito todas as perguntas certas?
Qual é o final feliz? Não lhe podes chamar de feliz quando vais deixar tudo como está, quando desistes e arrumas bagagem, não é justo, não quero. Tudo agora é um adeus, uma possível última partilha, uma rotura, um assumir que isto nunca mais volta a ser isto e que nós nos vamos perder lentamente algures numa fronteira. Qual é a felicidade disto? Qual é a epifania? E o que de bom irá ela trazer?
Estás disposto a colocar-nos num passado contextual, num intervalo da tua vida, num bocado de tempo que um dia as fotografias te vão lembrar como, "someone that i used to know".
No fair, not at all.
Não gosto. Vai à merda.

Monday, November 12, 2012

Esta é para ti, só para ti

Se me tivessem dito há uns meses atrás que à data de hoje se teria aberto este fosso entre mim e ti, teria mandado calar, gozado com as palavras ocas de quem claramente não conhecia a ligação que tanto tempo demorámos a consolidar entre nós.
Mas aconteceu. Cavou-se um buraco por onde se esvaem, umas atrás das outras, todas as tentativas de alcançar o outro lado.

Contigo varri todo o meu leque de emoções, por ti já experimentei todos os sentimentos. Entre o tudo e o nada conseguiu sobreviver qualquer coisa pelo meio que será sempre mais do que isto. O que aconteceu? Não sei. Um dia senti-me cansada e decidi ficar quieta no meu canto, pedi as cartas e paguei para ver. O mundo continuou a girar, tu continuaste a ser tu, com as mesmas flutuações, eu continuei a ser eu, com as mesmas inseguranças e fantasias. Mas não voltámos a ser nós. O B e a A, fomos que tempos essa parelha de palavras, essa dupla de cumplicidade irreproduzível, esse anel invisível do para-o-bem-e-para-o-mal-até-que-a-morte-nos-separe, essa promessa impronunciável de estarmos lá para o que vier. 
Se me perguntares se faz diferença, faz. Se me perguntares se me fazes falta, sim. Se me perguntares se tenho saudades, muitas. Se me perguntares se sou a mesma, sou menos. 
Ainda preciso de cuidar de ti, abanar-te de vez em quando, um calduço na testa, um beliscão no braço, sim, porque mesmo à distância procuro saber de ti. 
Agora somos outros? Talvez. Vais embora, conseguiste-te libertar. Desejo-te sorte. Muita, o amor, o frio na barriga, a aventura, a emoção, a perdição. Cuida de ti. Fá-lo por mim. E se o vires, diz ao sol que serene, que não precisa de abrir os braços, cantar alto, pôr o dedo no ar ou levantar um cartaz. O sol só precisa de aparecer. E a quem o não reconhecer, ou porventura o quiser ensombrar, que feche as cortinas, que se esconda debaixo da cama, que vá para o raio que o parta, porque há sempre outro pedacinho da terra a esbaforir-se em rotações só para o privilégio de umas horas dele.
Será que vai voltar a fazer sentido? Vai fazer sempre. Aqui ou na China ou em Londres. Este lugar, este instinto maternal, este colo, este abraço, este copo com que brindo, este sorriso, gargalhada, a espontaneidade, a boleia, as conversas no caminho, isto tudo e mais o que não vês, será sempre teu.
Por isso, não te desculpes, não há pelo o que o fazer. Sê mais e maior, sê tu, o B tal qual eu sempre vi. Orgulha-te disso. 
Eu estarei sempre aqui.


Sunday, November 4, 2012


Tinha prometido a mim mesma que não voltaria a percorrer  esta estrada. Mas ela surgiu à minha frente, mais sinuosa e estreita do que o caminho habitual, cheia de sinais de aviso, exclamações e bandeiras vermelhas. Fui por impulso, como habitual, fechando os olhos, franzindo a testa, caminhando a medo, às escuras, não tenho veículo para isto, pensei. E, ainda assim, fui. Quilómetros e quilómetros percorridos até um beco sem saída. 
Agora é percorrê-lo de volta para trás, agarrada à convicção de que, em breve, demore-se esse breve o que quiser, hei-de voltar a estar novamente nesse sítio seguro. Não quero mais disto. Vou deitar fora os impulsos e arrancar do peito esta infantil alegria de viver cada momento. 

Tuesday, July 17, 2012

If you're not there when I need you, please, leave me alone.



Saturday, July 14, 2012

Hold me, thrill me, kiss me, kill me




"E dêem-me a estupidez - se a outra opção é tédio." Pedro Chagas Freitas

Tuesday, July 10, 2012

Vou. Porque tenho de ir. Porque não tenho como o contrariar. Todas as células do meu corpo me dizem, tens de ir. Porque não quero que sejas só alguém que eu conheci.
Se chamas por mim. Vou.


Sunday, July 8, 2012

Tenho os pés fora do chão. Estou tonta, inebriada, fora de mim, uma vontade incontrolável de me deixar cair e cair e cair e, mesmo que me estatele no chão, que ninguém me apanhe, que ninguém me segure, que ninguém me prenda pelo braços, porque cair é a única forma de ir. E eu quero ir. Eu vou. Já fui. Quero essa vertigem de te ver, essas borboletas no estômago quando chegas, essa energia do outro mundo quando me tocas, essa vontade, a vontade.. que não se apaga, que não se esgota, que não se cura, que não tem fim.


Tuesday, June 26, 2012

E de repente, estou feliz porque estou, estou feliz porque sim. Estou feliz porque tenho o coração cheio, de tudo e de nada, tenho uma energia leve que me move, que me faz tremer, que me dá nervoso miudinho, que me faz sorrir sozinha, sem motivos, porque abri o peito, que tinha fechado para o mundo, e porque as nuvens desfizeram-se dos meus olhos. Abri-os e vi outros azuis, porque o amor, seja este no formato que for, perdure ele por duas horas ou por duas vidas, forma-se no sorriso dos lábios que me beijam, nos braços que me apertam, na vontade que faz baixar guardas e correr atrás do que não se pode perder, que estas emoções têm de se agarrar a duas mãos e gritar a plenos pulmões. 
Porque tens o sabor do mel e da canela, o cheiro de flores mornas, madeira, a óleos orientais e a gengibre, tens o toque da seda, do pêssego, da pimenta e as tuas mãos são as águas cristalinas do Índico onde sei que vou submergir até perder o fôlego. 
Não. Não vou fugir. Quanto muito vou correr. Para o lugar onde já sabes.



Sunday, June 24, 2012

Afinal, às vezes é preciso estragar tudo para que as coisas boas possam acontecer.
Acho que ainda não estou bem em mim.. fico com um sorriso idiota nos lábios quando me lembro de ti. E sinto um arrepio na pele quando, ao fechar os olhos, posso sentir os teus lábios novamente.. e as tuas mãos pelo meu corpo... não sei onde fui buscar forças para me vir embora, para vir costas a ti... ficou um desejo por concretizar, um desejo que nenhum de nós vai querer deixar passar em claro durante muito tempo. Quero-te, mas quero mesmo.. quero mais de ti, já há tempos que não queria mais nada de ninguém, mas de ti, quero mais... a nossa química, a empatia da nossa pele, mãos nas mãos, rosto com rosto, cheiro com cheiro, peito com peito, é uma magia que não acontece todos os dias..  quero-te, e é isso.



Saturday, June 23, 2012

Estraguei tudo, como sempre faço. Sempre. Quando aparece, por magia ou dádiva, na minha vida, alguém que parece ser especial. 
Quando esse alguém, é um alguém suficientemente forte para se aproximar, a sério, quando esse alguém pode ter um acesso directo à minha atenção... quando tem tudo.. eu fujo, induzindo a que propositadamente não goste de mim. Não dou resposta, prometo encontros que não posso cumprir, sempre ocupada com os planos do costume, lá me ponho a inventar defeitos, a arranjar desculpas para não me mexer, dou e tiro, sou quente, e a seguir fria. E quando me apercebo do que acabo de fazer e tento voltar atrás.. é tarde, é sempre tarde, estou sempre adiantada ou atrasada para o meu tempo. 
Agora, só por um bocadinho, apetecia-me que fosse inverno. Só para poder, debaixo de mantas, cantar isto  ao ouvido de um alguém.


Thursday, June 21, 2012

E quando a noite tem tudo para ser só mais uma noite, só mais uma música, uma foto, um pifo, o que seja, decido arriscar..
Não vou descrever como foi dançar assim, não quero porque estas palavras não vêm no dicionário.. sei que foram olhos azuis. Sei que me apaixonei. Sei também que não deve durar. Sei que ainda estou a tentar catalogar os defeitos, mas desta vez não consigo fazer comparações. A mensagem no telefone, assim que cheguei a casa. 
Tenho o seu cheiro na minha roupa no meu cabelo.
Vinha a ouvir isto no carro. E arrepiava-me a lembrar-me das suas mãos na minha cintura.
É isto.



Sunday, June 17, 2012

Miscs

*
As festas dos santos populares deixou de ser uma comemoração para ser um sítio e um momento onde todas as pessoas, durante alguns dias, deixam cair as máscaras e impunemente dizem e fazem tudo o que lhes manda o mais cru dos seus instintos. 
Este ano será diferente, jurei eu a pés juntos, já não me apetece tanta loucura, já tive o suficiente, quero poder finalmente subir as escadas para outro patamar. 

**
Jogaste uma carta suja comigo. Como se me lesses e soubesses ao que sou sensível. 
"Lembro-me de ti, no mesmo sítio há um ano atrás. Na altura não tive coragem de vir para a luz para falar-te, mas hoje decidi não deixar passar mais um ano."
Eu sei, também me recordo de ti. A olhares-me pelo canto do olho, discreto, normalmente atrás de mim. A sorrir-me se os nossos olhos se encontravam. Ofereceste-me ajuda em tua casa, mesmo ali ao lado, e eu, instintiva e imprudentemente, fui. Apresentaste-me ao Beck e achaste curioso que ele simpatizasse comigo sem sequer ladrar. Seguraste-me na mão e levaste-me por dentro daquele mar de gente sem nunca a largar. Senti as tuas carícias no meu pulso, no meu braço, à volta da minha cintura quando a turba nos esmagava.
Quando percebeste que eu, como sempre, já ia a fugir, procuraste os meus lábios, embora contra a minha vontade. 

***
Descendo as escadas para me libertar, outro encontro mais ou menos imediato. Ameaçaste, horas antes, que me ias encontrar no sítio do costume. O que eu não contava, era que o teu sorriso me derretesse, que os teus olhos me brilhassem, e que as conversas ao ouvido nos levassem inevitavelmente ao encontro dos nossos lábios. E que vontade tive de levar-te comigo. Não o fiz. Não quero mais encontros amorosos enganados pelo álcool.
Ficou a minha promessa de uma ocasião menos extasiada a qual tenciono cumprir cabalmente, se tiveres paciência para me esperar.

****
A promessa cumpriu-se. Procuraste-me com os teus olhos doces e o teu sorriso meigo e eu não te consegui resistir. Não era a minha intenção beijar-te no meio das hordas de gente, de tantos olhares, de tanta confusão..  acho que desisti de tentar encontrar razões para ser forte contigo. Adoro beijar-te, adoro sentir-te. Adoro a forma desprendida como me dizes que estás apaixonado por mim, desde a primeira vez, como me garantes que eu posso passar mais um ano a fugir de ti, mas que ali e agora, vamo-nos sempre encontrar e vai ser sempre explosivo. Não tenho grandes argumentos ou opinião sobre isso. Oiço-te sorrindo, fazendo as minhas contas às palavras que me dás, e aos gestos que as acompanham. Vou avaliando e medindo aquilo que te posso e quero dar. Novamente, de modo tímido, confessaste que eu te deixo sem jeito, que te intimido e que te levo a perder o controlo do que me dizes, face ao que tinhas planeado. Acho-te graça, é delicioso ouvir-te e ver-te, ao sabor da nossa empatia emocional e física.
Ainda não decidi bem o que quero de ti e onde isto nos vai levar... vou deixar-te jogar as tuas cartas.

Sunday, June 10, 2012

Nada como uma manhã depois de uma noite, e uma tarde depois disso para nos fazer recuperar perspectiva. Voltamos à luz do sol, à sobriedade dessa claridade, à inevitabilidade do que não pode ser diferente. A noite não é real. O que lá acontece, não se transpõe para o dia a seguir. A razão tem de se sobrepor, esclarecendo para não dar muita importância às emoções que, sem querer, despontam de pequenos pormenores. Rapidamente os sinais se transformam em equívocos. A possibilidade que gostamos de construir à volta disso, é tão confortável como um romance que alguém inventou para as pessoas se sentirem bem consigo próprias, nas tardes de domingo no cinema. É só isso. Não é real. 
Não me interpretem mal, mas preciso da liberdade da descrença. O desprendimento. 
Só posso ser verdadeiramente livre, se não amar. Porque chega sempre o momento do nosso egoísmo, e eu preciso dele. 
Tenho a serenidade que não tinha há uns tempos atrás em que acreditava que tinha de correr atrás de tudo, receando de perder grandes oportunidades que a vida me podia estar a oferecer.. Já não penso assim. Penso que as oportunidades não são coincidências ou acasos. São construídas. Quando chegar a minha oportunidade, sei que me vai olhar nos olhos e não me vai deixar fugir. 
Tenho um sangue incorrigivelmente romântico, e sendo procurada três vezes na mesma noite, por três homens diferentes (A., D. e F.) não pude evitar de imaginar três vidas diferentes, três formas hipotéticas de poder ser amada, de me sentir completa. Três destinos, três pessoas que me fizessem deixar de pensar. E nenhuma dessas possibilidades seria completa ou natural. Não vou gastar sequer energia a tentar encontrar o amor nesses sítios. O amor vai ter de me encontrar e há-de ser tão violento como um atropelamento. Vou ter de perder os sentidos e a orientação. Vou ter de perder o chão e voar ao céu. Se não for assim, é outra coisa.
Lamento, mas não estou disponível para vos amar. 

Saturday, June 9, 2012

Demónios em dias de santos


Não sei porque continuo a enganar-me a mim própria, a ignorar os meus instintos. Eu sei, eu sinto, as coisas, ainda e sempre. Quando sinto que não devo ir por determinado caminho, quando o meu corpo me diz que não é para ir, é porque não é para ir. E mesmo assim, teimosa, fui. Ainda bem. Só para constatar que não devia ter ido.
A fugir às tentações, literalmente, a escapar, a escapulir-me quando sei que pode acabar mal. Também o sei fazer, quando estar ou não estar, não me faz diferença, não faz diferença. 
Não. Não quero isto, que isto não chega, que eu quero mais. 
Deixem-me o corpo, deixem-me a alma, que o que eu quero não me podem dar. Eu quero eu. Eu quero sentir e quero fazer sentir. Seja pelo tempo que for. 
Assombras-me pelas vias tecnológicas, persegues-me sem sequer aparecer. Uma mensagem aqui, outra ali. Que me queres, que tens de me ver. Sabes o que queres de mim, e di-lo sem restrições. Mexes comigo. E talvez por isso venha a ceder. 
Não sei o que quero. Não gosto de me sentir perdida de coração. Talvez porque não sinta nada, e sentir nada, não é estar viva. 
Acho que não me quero encontrar, não para já.

Friday, June 8, 2012

Fugir da tentação, quando todas as perspectivas de sentir o que quer que seja são normalmente insuficientes, é anti-natura, é contra-senso, faz mal.
Talvez esteja a crescer. A separar o que sabe bem do que faz mal, como o trigo do joio. Não sei se a minha determinação será persistente o suficiente para vencer outro encontro. Quando sinto o teu cheiro a milímetros de mim, esvai-se qualquer noção de racionalidade, tal como de tempo ou de espacialidade, o mundo desaba à minha volta, todas as pessoas que não são tu, desaparecem, e todo o meu corpo se magnetiza ao teu. Os meus lábios só se querem colar aos teus, quero esse pescoço, esse braço à volta da minha cintura, a minha barriga a tocar a tua, as nossas pernas entrelaçadas.. Não há razão que explique a fuga do prazer que já sei que vou ter. A minha pele foi feita para a tua, nem que seja só assim. Não me procures e, especialmente, não me encontres que eu só consigo ser um bocadinho forte. Mesmo sabendo que é o que é, que ninguém quer nada de ninguém, o teu corpo quer o meu, e o meu, o teu. E isso pode ser tudo, durante um bocadinho. 

Sunday, June 3, 2012

Só tu me fazes chorar, só tu tens essa capacidade. Tenho o peito fechado a absolutamente tudo o resto. Menos a ti. Menos à crueldade com que apontas directamente às minhas feridas. Só tu mexes com as minhas inseguranças, só tu me consegues fazer sentir pequenina. Só tu que deste vida, só tu consegues retirar luz dela. Odeio amar-te. Odeio.
Desta vez não te vou perdoar. Nem que tenha de purgar de mim todo o sangue que me liga a ti.
Não te perdoo teres-me feito chorar. Não te perdoo por quereres ocultar a estrela das coisas boas que me têm acontecido.
Vai à merda. Não é assim que se ama. Vai aprender como isso se faz. E depois falamos.

Friday, June 1, 2012

Alfabeto

“Como é que está o B?” “Podes dar um recado ao B?” “Quando é que tu e o B aparecem?”
É complicado lidar com a inconveniência desta associação sem entrar em pormenores, ninguém entende, mas já antes o era assim. E, ardilosamente, finto constantemente este tema, sem dar muitas informações, sem grandes emoções. Porque estou a arrumar este assunto. A desconstrui-lo. A adaptar-me a um modelo novo. Mais light. 
Nunca juntar os meus homens favoritos foi tão pouco. 
Entendam que A e B por esta ordem de ideias, já não é um conjunto, já não é a sequência lógica deste abecedário, se é que alguma vez o foi, A e B já não significa apenas uma letra. São apenas dois símbolos aleatórios do alfabeto, outros agora se interpõem entre eles. Agora é, terá de ser AX, BZ, o que for. 
E do nada, conversas que nos esmurram o estômago “e vocês? Apostei uma nota em vocês” [sorrio, mudo de assunto, que isto nunca foi assunto].
Não saber de B é estranho. Parece fazer pouco sentido. Não haver assuntos que queiramos encetar, não haver a cumplicidade, a propriedade de nos conhecermos exaustivamente um ao outro, é… triste. Faz-me falta, tenho saudades. Tenho coisas para lhe contar, conselhos para pedir, sorrisos por partilhar, abraços por agarrar. Mas não. Foram demasiados encolheres de ombros. Agora é a minha vez. Eu mudei. As amizades e os afectos terão de se fazer valer por mim. Terão de me convencer que valem a pena, tal como são. Terão de me fazer sentir a pessoa especial que sou. Todos os dias. 
Mas não. Não somos gatos, mas deixamos para outras vidas o que já devíamos ter feito. 



Quanto ao resto, o futuro, apesar de incerto, começa a clarear. A opção provavelmente será a n.º 3. Seja como for.. um dia acordamos e está tudo diferente. Estaremos preparados?

Wednesday, May 30, 2012

3

Três modelos diferentes. Três realidades diferentes. Três perspectivas de vida. Apenas um ponto em comum.
A escolha só poderá ser uma.
Angola.
Moçambique.
Brasil.


Tuesday, May 29, 2012

Vêm aí tempos (ainda mais) difíceis. Vêm tempos de tempestade. Hoje foi um dia de perdas. E nós, todos alinhados, feitos bovinos, à espera de que um número, o nosso número, saísse na rifa para nos encaminharmos ao matadouro. Tinha de ser assim. Só podia ser assim. Atirem-nos com o balde de água gelada de vez, enquanto ainda estamos quentes. 


Tudo já está diferente. Tudo menos as saudades que se antecipam e as outras que já se sentem.

Até que um dia deixamos de pensar nisso e levamos o nosso dia a dia como se nunca tivesse sido diferente. Não sinto nada. Estou dormente. Ausente. Impassível. Intangível. Nada é surpreendente. Já tinha visto isto a acontecer. Tudo à minha frente. A única coisa que resta decidir é como agir sobre isto. Por-me a caminho. Já me fui desfazendo de algumas coisas. Há outras que não têm desfazia possível. 
Sangue e amor, isso não se descarta.

O resto, terá de ficar pelo caminho…

Hoje, em conversa com um amigo, percebi que me falta um [O]. Aquele com quem partilho valores e opiniões.   Com quem partilhava absolutamente tudo. Isso sim, sinto falta. Mas faz tudo parte de um processo. 

Monday, May 28, 2012

E hoje, pela primeira, vejo-me confrontada com a inevitabilidade da sobrevivência. Já não lugar aqui para mim, para aquilo que valho. Está na hora. Fazer as malas e partir. À procura de uma vida diferente. 
Uma vida melhor.

Friday, May 25, 2012

A vida é feita de tesão. E o tesão é feito de adrenalina. E a adrenalina é feita do novo. Nem que seja velho: a adrenalina é feita do novo.
(...)
Aprende: a vida é feita de virgindades perdidas – de momentos em que, pela primeira vez, sentes que havia vida para além da vida que era a tua; de instantes em que, pela primeira vez, ousas fazer o que nem sequer estava na tua vez. A vida, repito, é feita de virgindades perdidas: de virgindades vencidas – de virgindades que se vencem e que te fazem ganhar na vida.
Pedro Chagas Freitas

Banho de imersão. Longo. Vinho. Dois cálices. Banho. Som. Cozinhar para mim, mimar-me, cozinhar para alguém, mimar alguém, adoro. Amo. Devia ser proibido não cozinhar para alguém, todos os dias. Não dividir uma sobremesa. Não beijar alguém todos os dias. 

Felizmente, há uma virgindade que venço cada vez que faço amor.

Tuesday, May 22, 2012

Waiting


Ainda à espera. Que alguma sensação de perda se abata sobre mim como uma sentença, como a notícia da partida de um ente querido.

Nada. Ainda nada.

Só uma leveza nos movimentos. Talvez porque finalmente tenha chegado a perceber o meu valor. Porque sou mais e melhor. Porque tenho a consciência da dimensão da minha presença, da profundidade do meu carinho, da perspicácia do meu entendimento, da minha sensualidade, da beleza que não é só fútil. Eu sou uma grande mulher, porque já fiz grandes coisas, já consegui grandes resultados, já me superei a mim mesma por diversas vezes, consegui dar amor em cima de tudo e isso tem de ser grande. Isso tem de ter grande valor. Em vez de me lamentar, tenho-me olhado no espelho com uma espécie de agradecimento. Quantas mulheres me olham com desdém, com inveja? Olho-me e vejo que tenho [quase] tudo para ser feliz. Tenho tudo para procurar a minha sorte, se é que já a não encontrei.

Talvez seja por isso que estou leve, livre. Porque não consigo lamentar outras preferências. São o que são. 
Quem gosta de amêijoas, jamais terá dentes para me apreciar.

Ainda nada.

Nem tristeza, nem rancor. Precisava dela para justificar a minha decisão. Mas não. Nada. Não consigo perceber. Sinto apenas coisas boas. Hoje cresci mais um bocadinho.

I’m on my way [sorrio]. 

Monday, May 21, 2012

Posto isto, este assunto encerra-se definitivamente para mim. Não vou mais falar, escrever ou ler sobre isto. Não quero mais. Sinto, para além de tudo, um grande alívio por ter chegado ao fim. Nem tristeza, nem mágoa, nem vazio. Finalmente cheguei ao ponto da inevitabilidade. Os meus sentimentos e opiniões, nesta fase da minha vida, mudam ao segundo, e com isso não consigo bem lidar. Sei que eventualmente vou sentir saudades, mas agora não sinto nada. Talvez mais um sintoma de dormência.
Estou simplesmente disposta a virar a página e, desta vez, certa e convicta a cem por cento, que não quero o que me faz mal. Tenho uma estranha sensação de liberdade e de desprendimento. Acho que só quem é completamente honesto consigo próprio poderá verdadeiramente ser livre.
Este assunto fica entre nós. E nós, nunca mais seremos nós, mas apenas um e outro num tempo em que nos costumávamos conhecer.

Sunday, May 20, 2012

Starting over again

Não vou mentir. Porque estou farta de mentir. Não consigo continuar com estas mentiras. Doeu saber que te dói outra mulher. Já não és meu, definitivamente já não és meu. Perdi-te. Nunca te tive na realidade. Gosto de ti, nem consigo explicar porquê, não há nenhum motivo para gostar de ti. Por mais que racionalize e tenha para mim que seria incapaz de ter contigo alguma espécie de relação, dói-me saber que gostas de outra mulher, dói-me saber que não sentes nada por mim. Nunca sentiste, foi tudo fruto da minha imaginação. Porque é que eu não consigo de uma vez meter isto na cabeça? Nos jogos afinal sou eu que faço bluff e finjo, escondo-me, para continuar a poder estar perto de ti. Finjo que é igual, que não me afecta, que sou capaz de ser maior, dar-te conselhos sobre como conquistares outra mulher, finjo que quero que caias nos braços dela, quando na realidade, dói. Não consigo levar mais isto adiante. Não consigo. Dói-me. Dói olhar para ti e saber que o teu coração pertence a outra pessoa. Não consigo mais ser só tua amiga, fingindo que não quero morder os teus lábios e perder-me no teu corpo, que o teu cheiro não me faz disparar o coração para fora do peito. 
Não posso mais. Deixa-me ir. 
Sê feliz. Adeus. 

Saturday, May 19, 2012


Às vezes basta apenas uma palavra para retomarmos de onde deixamos.
Adoro-te por isso.


Amores, afectos e despedidas

#1 - N
Precisei de estar contigo hoje, meu amor. Precisava daquele abraço que só tu me sabes envolver. E tu vieste a correr. Abraçaste-me como se não houvesse amanhã. Afagaste a minha cabeça, respiraste o meu cheiro de que me asseguraste tanto sentir falta. Chamaste-me a mais linda, a mais inteligente, a mais competente... o que eu precisava de ouvir e de sentir isso novamente.. Só nos teus olhos consigo ser essa mulher que me vês, só tu me  amas sem condição, só tu me fazes ser, pertencer. Hoje soube, como se sabe o nome, ou o dia em que se nasceu.. podem passar décadas, vamos ser sempre o amor um do outro. Este amor não tem regras e razão. Existe simplesmente porque nós os dois existimos e porque, num dia improvável, os meus passos tropeçaram nos teus. 
Ainda te amo. Não sei se estou preparada para voltar a viver contigo, como me pediste, vezes sem conta. Que me fazes falta, é um facto. Vou pensar com muito carinho. Prometo. 

#2 - B
Os afectos, os sentimentos, essas coisas que fazem o corpo reagir para além da razão, são assim mesmo. Podemos fugir, fingir, mentir, fazer juras de sangue que não os temos, que não existem dentro de nós, até chegar ao momento em que são inevitáveis. Fazem-nos lembrar porque é que estamos aqui, porque somos o que somos, porque o destino nos leva a certos sítios, nos cruza com certas pessoas. Muitas vezes são lugares sem saída. Muitas vezes são tapetes sem fundo. 
Mesmo sem saber se essa rua tem saída, ou se é apenas uma partida cruel do acaso, fico feliz por saber que tens sangue nessas veias. 
Mesmo que não me contes das coisas, ou me mintas e a ti sobre isso. Fico feliz, especialmente por perceber que afinal és um homem comum, que te mexem as coisas comuns. 
Não sei bem em que pé está a nossa amizade, nem se será possível retomá-la do ponto onde ela tinha ficado. Partiu-se algo entre nós. Porquê mesmo? Qualquer coisa insignificante que nem consigo entender. Mas seja como for, adoraria que partilhasses comigo essa felicidade que descobriste que é estar vivo. 
Quero muito que encontres o teu caminho e que ele te leve a essas coisas banais que são o amor e a felicidade. Não sei bem que ideia tens da minha amizade por ti. Mas é genuína. Dás alegria à minha vida. Como irmãos que em tempos fomos. Temos esse sangue comum. Ou tivemos, não sei.
Não te posso dizer isto, porque não sei se o vais entender da forma como o sinto. 
Mas seja como for, e não voltarmos a falar... faz-me o favor de ser feliz. 

Friday, May 18, 2012

De repente, num segundo, a vida cai em cima de nós como uma chuva tropical, a qual não tem aviso, não tem previsão possível. 
É curta e imponderável, sejam quais forem os nossos planos. Para o lixo com eles. "Nós fazemos planos e Deus ri-se deles".

Cancro. Tenho medo. Cada vez uma iminência mais próxima. Cada vez mais os sintomas. Posso tentar ignorar a probabilidade genética, de vários casos familiares próximos, um dos quais me levou umas das pessoas mais queridas. Tenho medo. Precisava que segurassem a minha mão e me dissessem, sejam quais forem os resultados, vai ficar tudo bem. Pode não ficar. E se não ficar? E se me tocar a mim, como eu intuo e sinto que vai tocar? O que faço?

A medicação que tenho, tenho, tenho, e estou a deixar de tomar. A medicação que é a minha bengala há tantos, demasiados, anos para os meus trinta e dois de vida, está tão entranhada no meu sangue, que me castiga por todo o meu recurso fácil a ela. A adição. Como resolvo? Como parar estes tremores, esta náusea, estas dores no corpo, esta constante cisão do meu pensamento, esta aniquilação do raciocínio? Esta sensação de impotência? Como estabilizar as minhas variações emocionais? Como não entrar em pânico com as decisões mais banais do dia a dia? A quem contar? Como esconder isto tudo, para que não me considerem menor? Como não afectar o meu trabalho, como não decepcionar os meus amigos, como guardar tudo para mim não incomodar ninguém? Ninguém entende. Ninguém entende o que é ser uma junkie por opção. Ninguém entende uma cara estranha ao espelho. Uma sombra do que já se foi.

Alzheimer. A minha mãe. Bipolaridade. Suicídio. Bronquite asmática crónica. Impotência. Deixá-la ir? Como agarrá-la a este mundo e mantê-la sempre perto de mim, racional e sensata, como sempre a conheci? Como não associar esta pré-disposição hereditária às minhas constantes variações de humor?

SOB (síndrome obsessivo compulsivo). Como ajudar o meu pai a controlar a raiva, o ódio, a agressividade perante uma almofada fora do sítio? Como perdoar que tenha descarregado sobre a minha mãe, da forma mais violenta e cobarde que existe? Como separar o amor e o ódio que se sente por alguém?

Como não me decepcionar quando as pessoas que mais gosto na vida não se preocupam com o que eu carrego às costas? Como fazer com que entendam que não consigo sozinha? Como não cansá-los quando eles chegam a conhecer de perto a imensa escuridão que preenche a minha alma? 

Esconder. Talvez se conseguir esconder muito bem, as pessoas não cheguem verdadeiramente a conhecer o meu lado negro. Como as pessoas não têm a noção do esforço que eu faço para lhes dar apenas o que de bom me vai restando, não entendem como me entristece que me devolvam indiferença. Depois de todo o meu esforço. Depois de eu ter de me reinventar, lutar contra mim, e contra o resto, esquecer a merda com que já levei em cima, as desconsiderações, as pulhices, tudo o que, para alguém normal, seria puramente perda de tempo. Sempre acreditei que as pessoas valem a pena, enquanto virmos nelas uma luz que nos conforta. Por isso eu fiz um esforço. Ninguém, ninguém tem a noção do que me custou. Mas fi-lo sem arrependimentos. Para ainda me dizerem que sou fraca. Que me ponho a jeito. 

Porra. Como fazer quando, a esta temperatura, tremo de frio, e tudo o que precisava para me aquecer, era um abraço, quando não há ninguém, ninguém, ninguém para abraçar?

Não quero estar zangada com ninguém, quando na realidade, só o estou comigo própria. 
Desculpem-me qualquer coisa. Mas eu já não consigo ser melhor.

Thursday, May 17, 2012

N


Sonhei contigo. Que te perdia definitivamente. E contigo perdi-me de mim própria. Todos têm razão. Por muito que eu tente fingir, por muito que tente mentir. Não te resolvi ainda. És e vais continuar a ser o meu amor. Todas as minhas referências, todas as minhas inspirações de amor, de paixão, têm o teu nome escrito. 
Tantos anos juntos, a sermos um do outro, terminou assim. Como é possível?
Tenho saudades das nossas cumplicidades. Do nosso companheirismo. De me conduzires para todo o lado.  De cantarmos juntos e desafinados, em voz alta, a banda sonora que gravavas especificamente para cada viagem. De me ensinares sobre música ou ciência. Horas de conversas sobre tudo. A urgência em contarmos cada segundo do nosso dia um ao outro. De cozinhar para ti, enquanto dissertavas horas sobre as tuas paixões académicas. 
Não sei qual o processo que preciso de passar para te resolver definitivamente. Por muito que eu finja que as paixões de todos os dias são o suficiente, não são. Nunca serão. 
Estou triste. Estou magoada. Achincalharam-me onde me dói mais.

Brio profissional. Chamem-me feia. Chamem-me gorda, esquelética, burra, ridícula, mau feitio, orgulhosa de mais ou de menos. Mas nunca, nunca, nunca, incompetente. Por uma simples razão. NÃO é verdade. Eu sou boa - muito boa - no que faço. Por uma simples razão. O que faço, faço por paixão e por prazer, e isso faz toda a diferença. E faço depressa. E bem. Eu racionalmente entendo que a arrogância deriva de uma frustração muito própria que, por sua vez, é um resultado das limitações pessoais. E portanto, não me devia afectar, porque sei que sou mais e melhor. Mas hoje não foi um bom dia para mexerem comigo. Hoje foi o dia que disse basta e mandei à merda a quem devia. 

Afectos. Porque eu tenho um defeito incorrigível nesta altura, já que caminho a passos largos para a idade de cristo, sou demasiado sensível. E fizeram-me deixar de acreditar. Na genuinidade das pessoas, dos afectos, dos carinhos, das relações. Porque aparentemente isso tudo é uma mentira desenhada para manter uma companhia. Essa merda doeu-me. Porque eu não sou só mais um lugar à mesa, ou mais um copo de cerveja ao balcão, ou uma cadeira no cinema. 

Estou triste e tenho vontade de chorar. Não posso ser sempre a mulher de ferro. Aqui no meu cantinho posso ser só eu, a mulher frágil e sensível que ninguém quer ver.

Tuesday, May 15, 2012

" faço de conta que não vejo o que querem de mim, faço de conta que não estou a perceber, faço de conta que estou interessado… esse jogo ainda jogo, jogo para não estar sozinho, jogo para estar com as pessoas de quem mais gosto…"

Estas palavras não me saem da cabeça e não acredito que signifiquem o que disseste. És uma merda por acreditares nisto, por teres posto isto em palavras e mais ainda por estares a agir em conformidade.
Mataste o meu carinho por ti.
Perdi a vontade de te ler, de te ouvir, de te ver, de sequer te conhecer.
Não te perdoo por isto.


Não tenho tempo. Nem para isto, nem para aquilo que eu ando para fazer há que tempos. Nem tempo, nem pachorra. Ou seja, o que não tenho mesmo é vontade. Até posso ter, mas a partir da altura em que mo perguntam directamente, imediatamente deixo de a ter. Gosto de ser eu a escolher. Gosto de ser eu a ter a iniciativa e de receber toda a disponibilidade deste mundo e do outro para isso. 
Fora isso, ando num marasmo emocional. Ando na parvoeira do assim-assim, do mais ou menos, do vai-se andando, quão abjecto é isso? Muito. Não entendo porque estou com dificuldades em me apaixonar ou em me deixar ir. Estou naquela fase em que ir ou ficar, sair ou ficar em casa é igual. A paixão pega-se como uma epidemia rara, e não há ninguém que me faça o favor da contaminação. 
A verdade verdadinha é que tenho andado a fugir dos sensoralismos fáceis, daqueles que só são bons durante uma hora. Porquê? Sei lá.
Está calor. E o calor puxa os corpos nus, a vulnerabilidade do sexo e a guerra do fazer amor, tudo num só sítio. É isso que eu quero. Preciso. Libertar-me. Mas como isso, nunca é só isso, para mim tem de ser mais, e não há ninguém que me faça ser mais. E eu menos, obrigadinha, mas não quero. 
Tenho vontade de ir ter com um estranho e pedir-lhe que me tire o chão, que me faça voar, que faça amor e sexo comigo, que me faça apaixonar, que me dispare para outra dimensão. Só isto é que vale a pena. 
O resto é, um pão sem sal. 

Friday, May 11, 2012

Memórias

Para onde foste, para onde foi tudo que tu eras? Não posso aceitar que desapareceste da vida de toda a gente que tocaste. Não quero, não quero. Lembrei-me de ti. Agora mesmo. Rebentei em lágrimas. Tio, padrinho, amigo, irmão. Encobrias as minhas traquinices do meu pai. Safaste-me tantas vezes. Lembro-me sempre de ti a sorrir, sempre, tinhas um sorriso imenso, e acredito, no fundo do meu coração, que ainda tens, isso não pode ter desaparecido, essas coisas não desaparecem, não podem, não quero, volta, volta aqui, a esta terra, tenho tantas saudades tuas, tantas.. tantas.
Morreste. Estupidamente. E contigo, um bocado de todos nós morreu também. Não é justo. Não é. Puta de doença, porquê, porquê, porquê a ti? De toda a gente má que só está cá para fazer mal aos outros, porque te calhou a ti, meu tio querido? Odeio esta merda desta impotência que nos torna pequeninos e descartáveis. 
Vou acreditar que o teu imenso coração continua a bater, de uma forma diferente, e conforta-me pensar que daí de cima, iluminas as estrelas com o teu sorriso.

Wednesday, May 9, 2012

Foi ao som desta música. Nem ouvi a letra, nem quis ouvi-la. Foi perfeito. Completo, intenso. Perdi-me.


Move on

Acho que é bem possível que estes últimos dias, tenham sido os dias. Em que tenha olhado para ti com meros olhos mortais e que, mais uma vez, não tenha encontrado nos teus qualquer sinal de emoção e paixão. Pelo contrário, vejo tédio, cansaço, inércia, indiferença. É inevitável reviver, com isso, as sensações de um passado recente. Coisas que definitivamente não tenho quaisquer intenções de revisitar. 
E isto foi o suficiente para finalmente te conseguir começar a ver da forma que sempre o devia ter feito. Como um amigo. Com toda a imparcialidade que isso implica. Na realidade, somos irmãos. Somos do mesmo sangue. Não entendo como não quis perceber isso antes.
Já não quero mais do que isso. Não quero mais de ti. Não faz sentido. Agora, sim, estou pronta a ser tua amiga. Sinto-me, agora sim, leve e livre. 

Monday, May 7, 2012

Foram apenas cinco segundos, não mais do que isso. Em que, por entre luzes brancas intermitentes, miúdos à procura de aventuras, bebidas cilíndricas e coloridas, uma batida viciante, a dormência das horas e a estranheza do lugar, os teus braços envolveram a minha cintura e o meu rosto tocou os teus lábios. Cinco segundos. A tua respiração, o teu cheiro, a tua pele, o teu calor, tudo o que já sei que quero. Cinco segundos. Durante os quais fechei os olhos e acreditei que me ia perder, o álcool liberta tudo e inventa mentiras e eu não quero enganos, mas queria ter-me perdido, mas não assim, não com a desinibição falsa, não no barulho das luzes, não porque "e porque não". Queria que fosse porque sim. Ter horas para conscientemente me perder em ti. 
Talvez tenha sido por isso que não me deixaste tocar a tua orelha.
Para que ninguém no dia seguinte queira trocar a vergonha pelo orgulho. 

Ser bipolar nos sentimentos é isso mesmo. Não deixar que o sonho incitado pela neblina da lua se torne num pensamento.
And let the reality do its thing. Mind over body. Reason over heart.


Friday, May 4, 2012

A vulnerabilidade de se estar doente é o mundo poder esmagar-nos com um fio de cabelo.
Não sei ser forte nestes momentos.
Nem vou fingir.



Wednesday, May 2, 2012

Vou deixar de olhar para os teus olhos. Vou deixar. Vou-me beliscar por cada vez que lá vir coisas que me mexem, de cada vez que lá vir coisas que lá não estão. Vou deixar de ouvir palavras que não me dizes. Vou deixar de acreditar que sinto as coisas e que não me consegues mentir, vou-me deixar das tretas que me fazem acreditar que também sentes. Vou acreditar com muita força que não sentes nada. 
Vou dizer isto em voz alta várias vezes, até ser verdade. 

Monday, April 30, 2012

Fazer amor contigo

Tudo começa nos dois segundos anteriores ao teu beijo. O meu coração pára. Acelera. Pára. O meu corpo contrai-se. A minha pele arrepia-se. Aproximas os teus lábios dos meus. Invade-me o verão. A areia da praia, o mar salgado, o doce cheiro a liberdade. A temperatura. A vertigem. Os meus olhos procuram os teus, antes de se fecharem. E os teus estão lá. Sinto que sentes o mesmo. E que queres mais. Queres aproximar-te. Mas, como eu, não queres dar por terminados os instantes que antecedem ao turbilhão que nos espera. E cedemos. Os lábios tocam-se, a respiração perde o controlo. Os corpos magnetizam-se, um para o outro. E não se aproximam o suficiente, não há como. As línguas fundem-se, acariciam-se, brincam com as sensações que provocam. E o que provocam, o desejo não consegue apagar. As minhas mãos descobrem o teu corpo, fazem-no meu. Cada pedaço de ti é belo. Cada pedaço é um licor embriagante. As tuas mãos, fazem a mesma busca em mim. E sabem bem. O meu corpo vai ao encontro delas. O teu sabor mistura-se ao meu e torna-se num só. O meu cabelo dança no teu rosto numa medida em que não o queres afastar. Os teus dedos enrolam-se nele, e as minhas pernas sobre o teu corpo. Quero ser tua, e digo-to para que não subsistam dúvidas. As minhas palavras intimidam-te, mas tu gostas da minha franqueza. Todo o espaço é pequeno para o nosso amor. 
Peça a peça, a minha roupa escorrega de mim pela tua mão. Nem por um momento, os nossos lábios se afastam. Procuram um pescoço, uma orelha, um peito nu, cada sabor é único. Quero-te dentro de mim, e tu queres-me sentir só tua. Prolongamos a espera. Sem respiração, sem fôlego, sem razão, a tesão é um prolongamento da paixão. Queremos afogarmo-nos um no outro, e a espera amplifica tudo numa medida em que nenhum dos dois pensou ser possível.
Que me fazes mal, toda a gente já sabe, mas a razão porque continuo a escrever para ti, sobre ti, é um dos melhores mistérios guardados pela história da humanidade.
Ignoras-me. Os momentos em que decides dar-me atenção é por circunstância do conjunto. 
Muito honestamente, se já não consigo enumerar qualidades que me fazem gostar de ti, será que efectivamente gosto? Pergunto. A resposta. Não sei. Sinceramente ainda não sei. Sei que cada dia que passa dás-me, deliberadamente, mais um motivo para não te amar. Chegando aqui, chegando a agora, penso que estou a ficar sem eles. E se estou a ficar sem eles, deve ser porque afinal não gosto de ti. Talvez goste do que me proporcionas. E, proporção por proporção, cada um dá o que tem. E há quem me proporcione mais. E melhor. 
Não. Não é despeito. Sinceramente, não é. Se o fosse, assumia de peito. É talvez uma constatação. Porque raio ando eu a perder tempo contigo? Tempo que podia estar a oferecer a mim própria de ser proporcionada de forma mais completa? 
Não há racionalidade nestas equações.
O que tu não sabes, e que eu não conto - porque não é de todo o meu estilo - é que estás a perder o teu lugar. Há pessoas que dariam tudo para o ter. E eu, pela primeira vez desde ti, estou a considerar seriamente em cedê-lo. Quando isso acontecer, e tenho para mim que vai acontecer brevemente, não te vais perdoar de ter sido tão cobarde. Vais sentir a minha falta, da minha voz, do meu cheiro, do meu carinho, da minha preocupação, da minha paixão, dos meus olhos e de tudo o que te faça lembrar de mim como, por exemplo, o mar. Eu sei que o mar te lembra de mim. Não assumes. Nunca. És demasiado orgulhoso para sentimentalismos, mas eu sei que sim. 
Tens ideia de como vai doer? Eu explico. Vai começar no peito. Depois vai passar para os braços. Pouco depois para as pernas. Vai imobilizar-te. Uma náusea no estômago, uma tontura. Não te vais poder erguer. Uma vertigem, um chão vai desaparecer no infinito. Vais querer falar-me, para me contar, e não vais poder. Eu não vou estar lá. Todas as referências a mim serão uma memória longínqua de quando podias. E agora, não podes. Vais recolhendo pistas de mim, aqui e ali, eu vou estar feliz. E isso vai dar conta de ti. Vais saber-me nos braços de alguém. Entregar-me a outra pessoa. E a gostar. Vai aniquilar o teu raciocínio. Não vais saber o que fazer de ti. Para onde ir. Todos os programas vão ser insuficientes. Vãos. Só vais saber que estás vivo quando, sem querer, qualquer coisa, qualquer pessoa, te fiz lembrar de mim, e aí vai-te doer. Tudo de novo. O suficiente para saber que ainda sentes. Nesse instante, saberás que tiveste amor e que o deitaste para o lixo. A culpa, vai corroer-te.
Lamento, meu amor, mas já não te amo.

Thursday, April 26, 2012

Dois segundos

Todos os dias passam pessoas por mim. Gente nova, gente antiga, gente normal, gente bonita, gente feia e atraente, gente linda e sem atractividade nenhuma. Ás vezes fico embevecida pela multiplicidade de homens que me atraem. Dava qualquer coisa para provar os seus beijos. Só para descobrir como seria. Provavelmente  bastaria apenas uma palavra para mudar a vida. 
Mas não a de nenhum deles. A tua. Nada me tira mais a respiração do que a tua mão rasar a minha sem querer, nada me traz mais à terra e ao mundo que os teus olhos, e o meu reflexo neles. Não há nenhuma sensação que se iguale a acordar ao teu lado. Nada. 
Nem a sobremesa mais doce, nem o perfume mais exótico, nem a bebida mais forte, nem a cidade mais romântica, nem o homem mais sexy do mundo, nem o conjunto de todas essas coisas, chegariam para acelerar uma milésima de segundo o meu batimento cardíaco que os dois segundos antes de me beijares me fazem. Durante dois segundos eu sou a mulher mais forte, saltaria de um avião, de um comboio em andamento, atirar-me-ia para uma arena de feras, dançaria com a tribo mais primitiva. Mas não. Nesses dois segundos em que as minhas pálpebras estão para se encontrar, dou-me por vencida, prendes-me, amordaças-me, subjugas-me, afogas-me no teu sabor, derretes-me com as tuas mãos, enrolo-me em cada pedaço do teu corpo, pois é em cada um deles onde posso sentir a tua alma. E a tua alma não tem limites, continua para além do teu corpo, do teu cheiro, do teu abraço. 


Saturday, March 31, 2012

A tua camisola


Vou roubar a tua camisola. Vou tirar-ta, devagarinho. Chegar os meus lábios ao teu ouvido, para que não te retraias. Ainda estou aqui. Vou servir um vinho, acender as velas, abrandar a música. Limitar a luz ao indispensável. Vou desviar os objectos do caminho. Preparar um espaço próprio. Vou roubar essa camisola do teu corpo. Quero vesti-la, senti-la sobre o meu. A desenhar os contornos da minha pele nua. Deixar que o teu cheiro se envolva no meu e que se transforme em algo só nosso. Porque o teu cheiro adultera os meus sentidos. Porque o sinto nas minhas mãos, no meu cabelo, na minha roupa, a qualquer hora do dia. Quero esse cheiro que é teu. Quero fazê-lo meu. Esse cheiro que te denuncia quando chegas, aquele que fica quando vais.

Quero o sabor que os meus lábios me pedem e contra o qual a minha razão combate. Vou deixar a razão. Vou largar esta cautela que não sou eu, nem o que faço. Não quero pensar, obriga-me a deixar de fazê-lo.  Faz-me sentir. Consome-me em ti. Rouba-me, captura-me, levanta-me do chão. Faz-me voar. Sem decoros. Sem considerações, sem conjecturas. Mostra-me um sítio teu. Guia o meu caminho. Ilumina o meu sorriso, incendeia os teus olhos com os meus. Despe a minha pele. Rasga-a. Chega onde queres chegar. Respira o meu oxigénio, bebe a minha água, e mata a minha sede da tua boca. Não quero essa delicadeza que me ofende. Agarra-me com duas mãos, com dois braços, com todo o teu corpo.


Se for menos do que isto, devolvo-te a tua camisola.

Thursday, March 29, 2012

Tenho vontade de gritar, abrir as janelas e libertar esta raiva a plenos pulmões, preciso indignar-me com quem me decepciona, dizer as verdades antes que se transformem em mentiras, tenho raiva, tanta raiva das injustiças,  especialmente aquelas que vêm com o lustro no pelo, com vozes brandas e sorrisos falsos. Odeio pessoas egoístas, deviam ser erradicadas da Terra, não acredito num mundo onde prevaleça aquele que ludibria, serrando-nos os pés da cadeiras enquanto não estamos a olhar. Odeio ainda mais as oportunidades desaproveitadas de fazer a diferença, são raras e preciosas, abomino quem as negligencia em prol do "bem comunitário". O bem comunitário estará sempre dependente do desconforto individual, só eliminando a sua causa, poderá o conjunto ser maior que a soma das partes. Tenho raiva de ver o que os outros não vêem, vejo tão claramente que me fere os olhos e sangra a minha crença. Não quero deixar de acreditar porque baseio cada poro da minha existência nisso.
Não há lugar neste sítio onde respira um ror de gentalha oportunista, que devia pagar uma taxa a cada vez que acorda de manhã, e a quem se chama de "sociedade", para os visionários, para o pessoal da ética e da moral, para os lutadores, pior, não há lugar para os sonhadores.
O que estou eu ainda aqui a fazer?

Wednesday, March 28, 2012

A cozinhar, sozinha, morno lá fora, cheiro invasor a festa e despreocupação, queimo um cigarro de vez em quando, intercalo com um episódio de uma série qualquer, pausa maior para o banho, para tratar do cabelo que anda a dever a sua sorte à tesoura, esfoliação, creme corporal, a lua a crescer devagarinho lá em cima, o telefone demasiado mudo, as redes sociais vazias, o silêncio mordaz, a rua a convidar, a vontade a vacilar, falta-me o vinho, era perfeito o vinho a acompanhar-me ao teclado, como pude eu esquecer-me disso, ocupo-me intensamente em não pensar, afugentar os pensamentos, ignorar o carro familiar ao lado do meu, no retorno a casa, os encontros casuais que disparam adrenalina, evitar a despedida, porque vai ser uma despedida, não tenho dúvidas, vai desaparecer a hipótese do acaso, todos os caminhos divergem, só a intenção terá lugar, se a deixassem, mas como a não deixamos, morre ainda criança.
Falta-me o vinho.

Tuesday, March 27, 2012

Merda, tenho saudades tuas. Tenho saudades do teu sorriso, da tua voz. Das tuas gargalhadas, da tua espontaneidade. De contarmos tudo um ao outro. Das boleias, das músicas que escolhias para eu ouvir no teu carro. 
Merda. 
Sai de mim.

Monday, March 26, 2012

É engraçado, como as coisas são. Num dia estamos orientados para um único objectivo, focados numa única pessoa, apaixonados, embevecidos, cegos, motivados, dispostos, pacientes, enlouquecidos, embrutecidos, e no outro.. já não. Tudo muda. Com um estalar de dedos. 
Comigo não foi tal qual assim, mas foi perto. Ele disse-me que eu tinha demasiada paciência. Que esperava demasiado das pessoas. Que dava em igual medida. A medida é "demais". "Punha-me a jeito". E quando percebi isso, vi-me numa posição em que não esperava ver. Várias vezes arranquei o sentimento do peito e pu-lo numa cadeira ao pé da minha mala, só para o poder ouvir e aconselhar, porque me preocupava genuinamente com a sua cabeça confusa, com as coisas fabulosas que ele não via sobre si. Porque me partia o coração vê-lo desamparado. Ele não estava preparado, para mim, para ele, para a mudança, para a vida. E eu queria ajudar. Afagar a sua cabeça, deitá-lo no meu colo, e dizer-lhe que ia ficar tudo bem.
Mas percebi que afinal não era bem assim. Era tudo uma questão de perspectiva.
Afinal ele estava preparado para dar tudo, para investir tudo, para se atirar de cabeça, para ir à luta. Somente não comigo. 
Tentei ainda fazê-lo entender que a minha amizade não podia ter continuação. Para que não estranhasse a distância. Ele ignorou a minha explicação. Mas eu já tinha entrado no processo erradicação, que normalmente demora a ser encetado, mas uma vez iniciado, é para mim irreversível.
Não sinto mágoa, já. Porque na realidade não perdi muito. Nem na sua amizade soube estar à altura, não procurou ajudar-me, preocupar-se com o meu bem-estar, sentimentos, necessidades. Daí que, na realidade, eu não precise daquela amizade, também unilateral. Mas não o cobro, o que dei, dei sem querer nada em troca. Para mim fazê-lo é retorno suficiente.
É natural que não irei conhecer as suas novidades, as suas mudanças, não darei conselhos sobre novos amores ou o futuro profissional. Não tenho vontade de o seguir. 
E com isto, encerro este assunto.
Estou bem, agora sim, bem , serena, aliviada. Porque me libertei dessa expectativa inconcretizável. Percebi finalmente que "fui o que fui". Não foi especial, não foi diferente, não foi importante para ele. A vida é assim mesmo. 
Agradeço o enorme ensinamento. Agradeço o empurrão. Move on. And so I did.
Já não sinto amor, paixão, tesão, o que seja. Sinto como a um estranho que não conheço e ao qual nada me leva a querer conhecer.
Fecho um capítulo. E abro outro.

Quando nos Apaixonamos

Quando nos apaixonamos, ou estamos prestes a apaixonar-nos, qualquer coisinha que essa pessoa faz – se nos toca na mão ou diz que foi bom ver-nos, sem nós sabermos sequer se é verdade ou se quer dizer alguma coisa — ela levanta-nos pela alma e põe-nos a cabeça a voar, tonta de tão feliz e feliz de tão tonta. E, logo no momento seguinte, larga-nos a mão, vira a cara e espezinha-nos o coração, matando a vida e o mundo e o mundo e a vida que tínhamos imaginado para os dois. Lembro-me, quando comecei a apaixonar-me pela Maria João, da exaltação e do desespero que traziam essas importantíssimas banalidades. Lembro-me porque ainda agora as senti. Não faz sentido dizer que estou apaixonado por ela há quinze anos. Ou ontem. Ainda estou a apaixonar-me. 

Gosto mais de estar com ela a fazer as coisas mais chatas do mundo do que estar sozinho ou com qualquer outra pessoa a fazer as coisas mais divertidas. As coisas continuam a ser chatas mas é estar com ela que é divertido. Não importa onde se está ou o que se está a fazer. O que importa é estar com ela. O amor nunca fica resolvido nem se alcança. Cada pormenor é dramático. De cada um tudo depende. Não é qualquer gesto que pode ser romântico ou trágico. Todos os gestos são. Sempre. É esse o medo. É essa a novidade. É assim o amor. Nunca podemos contar com ele. É por isso que nos apaixonamos por quem nos apaixonamos. Porque é uma grande, bendita distracção vivermos assim. Com tanta sorte.
Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (14 Fev 2012)' 

Sunday, March 25, 2012

Vários pontos finais, duma só vez, vários parágrafos de seguida, várias linhas novas por escrever.
Porque às vezes precisa ser de rajada.

Eu, comigo mesma.

Saturday, March 24, 2012


Finalmente conseguiste que eu desistisse. Desisto. 

Finalmente senti também essa dormência. Porque já não te conheço. Já não tenho vontade sequer de te acompanhar na amizade. 

Só desejo que algo de positivo resulte para ti neste processo.

Thursday, March 22, 2012

Estou a ficar cansada. Cansada de me esforçar para que não desistas de ti. Cansada de te mostrar as asneiras que estás a fazer com a tua vida, de te repreender para que acordes para a vida, para que vivas as coisas boas à tua volta. 
Continuas a afastar-te, a tentares por tudo seres uma má opção, a pintar-te num quadro negro para que as pessoas possam desistir de ti, sem que sejas tu a tomar a decisão de não te envolveres. Tens medo. Toda a gente tem medo. A vida é tão imponderável, tão improvável, que é um crime quereres arrumar tudo em compartimentos. 
Hoje acordei a pensar que gosto de ti, com um sorriso espontâneo nos lábios.
Mas a tua displicência fez-me mudar de ideias. O que posso eu fazer? Se queres muito, eu desisto de ti.
Só espero que não mudes de ideias. Vai ser tarde. Já o é.

Wednesday, March 21, 2012

Foi bom, nada mais a acrescentar. Voltei a apaixonar-me, repesquei vontades antigas. Quero mais.

Tuesday, March 20, 2012

Está na altura de abrir o meu peito. Sim, vou procurar-te, deixar de fugir. Hoje vou apaixonar-me por ti. Sem freios.
It's time.
Aimee Man - Deathly
É preciso matar as pessoas. É preciso deitar fora o amor que temos por elas, é preciso conhecermos a nossa existência sem elas. É preciso nos esquecermos da importância que têm na nossa vida e dos pormenores únicos das cumplicidades que com elas construímos. É preciso apagarmos as pequenas memórias, os gestos, os sorrisos, é preciso que as suas vozes sejam apenas sons, é preciso esquecermo-nos do beijo, do gosto, do sabor que elas têm. É preciso convencermo-nos de que não o apreciamos. É preciso fazer viagens, solitárias, e tirar da cabeça, de uma vez por todas, que tudo pode voltar atrás. É preciso desistirmos delas e acreditar que é melhor assim. É preciso um processo. Que dentro de nós seja irreversível.
É preciso voltar-me a apaixonar-me todos os dias, por alguém que não sejas tu. 
Preciso de voltar a ser eu, antes de ti. É preciso correr em passadas largas, sem olhar para trás, para outro sítio, para outras terras, para outras pessoas diferentes. É preciso fugir do sentimento. É preciso agarrar a razão. Escrevê-la num quadro, pendurá-la num espelho, para que me veja dentro dela, todos os dias. 
Será preciso morrer e matar, e nascer novamente, para que definitivamente eu deixe de te conhecer.

Monday, March 19, 2012

Starting over



Está a doer. Ainda está a sangrar. Ainda me custa, tenho um ardor no peito que não consigo aliviar. O meu corpo queixa-se por cada movimento que faço. Ele só querer parar.
Só quero arrancar o peito do sítio e atirá-lo contra a parede, matá-lo de vez, certificar-me que ele não volta a respirar. Não tão cedo. Não quero sentir isto, não por estes motivos.
Não tens razão, eu sei que não tens. E mesmo assim, tenho de aceitar. Não te devia ter deixado entrar. Agora não consigo despejar-te.
Estou no processo do contra-amor. Odeio-te. Odeio amar-te.
Sai de mim.
Vai para a China, vai para o fim do mundo. Faz essa barba. Muda de perfume. Faz o que for preciso, mas sai de mim.