Ainda à espera. Que alguma sensação de perda se abata sobre
mim como uma sentença, como a notícia da partida de um ente querido.
Nada. Ainda nada.
Só uma leveza nos movimentos. Talvez porque finalmente tenha
chegado a perceber o meu valor. Porque sou mais e melhor. Porque tenho a
consciência da dimensão da minha presença, da profundidade do meu carinho, da perspicácia
do meu entendimento, da minha sensualidade, da beleza que não é só fútil. Eu
sou uma grande mulher, porque já fiz grandes coisas, já consegui grandes
resultados, já me superei a mim mesma por diversas vezes, consegui dar amor em
cima de tudo e isso tem de ser grande. Isso tem de ter grande valor. Em vez de
me lamentar, tenho-me olhado no espelho com uma espécie de agradecimento. Quantas
mulheres me olham com desdém, com inveja? Olho-me e vejo que tenho [quase] tudo
para ser feliz. Tenho tudo para procurar a minha sorte, se é que já a não
encontrei.
Talvez seja por isso que estou leve, livre. Porque não
consigo lamentar outras preferências. São o que são.
Quem gosta de amêijoas,
jamais terá dentes para me apreciar.
Ainda nada.
Nem tristeza, nem rancor. Precisava dela para justificar a
minha decisão. Mas não. Nada. Não consigo perceber. Sinto apenas coisas boas.
Hoje cresci mais um bocadinho.
I’m on my
way [sorrio].
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