Friday, May 11, 2012

Memórias

Para onde foste, para onde foi tudo que tu eras? Não posso aceitar que desapareceste da vida de toda a gente que tocaste. Não quero, não quero. Lembrei-me de ti. Agora mesmo. Rebentei em lágrimas. Tio, padrinho, amigo, irmão. Encobrias as minhas traquinices do meu pai. Safaste-me tantas vezes. Lembro-me sempre de ti a sorrir, sempre, tinhas um sorriso imenso, e acredito, no fundo do meu coração, que ainda tens, isso não pode ter desaparecido, essas coisas não desaparecem, não podem, não quero, volta, volta aqui, a esta terra, tenho tantas saudades tuas, tantas.. tantas.
Morreste. Estupidamente. E contigo, um bocado de todos nós morreu também. Não é justo. Não é. Puta de doença, porquê, porquê, porquê a ti? De toda a gente má que só está cá para fazer mal aos outros, porque te calhou a ti, meu tio querido? Odeio esta merda desta impotência que nos torna pequeninos e descartáveis. 
Vou acreditar que o teu imenso coração continua a bater, de uma forma diferente, e conforta-me pensar que daí de cima, iluminas as estrelas com o teu sorriso.

No comments:

Post a Comment