Nada como uma manhã depois de uma noite, e uma tarde depois disso para nos fazer recuperar perspectiva. Voltamos à luz do sol, à sobriedade dessa claridade, à inevitabilidade do que não pode ser diferente. A noite não é real. O que lá acontece, não se transpõe para o dia a seguir. A razão tem de se sobrepor, esclarecendo para não dar muita importância às emoções que, sem querer, despontam de pequenos pormenores. Rapidamente os sinais se transformam em equívocos. A possibilidade que gostamos de construir à volta disso, é tão confortável como um romance que alguém inventou para as pessoas se sentirem bem consigo próprias, nas tardes de domingo no cinema. É só isso. Não é real.
Não me interpretem mal, mas preciso da liberdade da descrença. O desprendimento.
Só posso ser verdadeiramente livre, se não amar. Porque chega sempre o momento do nosso egoísmo, e eu preciso dele.
Tenho a serenidade que não tinha há uns tempos atrás em que acreditava que tinha de correr atrás de tudo, receando de perder grandes oportunidades que a vida me podia estar a oferecer.. Já não penso assim. Penso que as oportunidades não são coincidências ou acasos. São construídas. Quando chegar a minha oportunidade, sei que me vai olhar nos olhos e não me vai deixar fugir.
Tenho um sangue incorrigivelmente romântico, e sendo procurada três vezes na mesma noite, por três homens diferentes (A., D. e F.) não pude evitar de imaginar três vidas diferentes, três formas hipotéticas de poder ser amada, de me sentir completa. Três destinos, três pessoas que me fizessem deixar de pensar. E nenhuma dessas possibilidades seria completa ou natural. Não vou gastar sequer energia a tentar encontrar o amor nesses sítios. O amor vai ter de me encontrar e há-de ser tão violento como um atropelamento. Vou ter de perder os sentidos e a orientação. Vou ter de perder o chão e voar ao céu. Se não for assim, é outra coisa.
Lamento, mas não estou disponível para vos amar.
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