É engraçado, como as coisas são. Num dia estamos orientados para um único objectivo, focados numa única pessoa, apaixonados, embevecidos, cegos, motivados, dispostos, pacientes, enlouquecidos, embrutecidos, e no outro.. já não. Tudo muda. Com um estalar de dedos.
Comigo não foi tal qual assim, mas foi perto. Ele disse-me que eu tinha demasiada paciência. Que esperava demasiado das pessoas. Que dava em igual medida. A medida é "demais". "Punha-me a jeito". E quando percebi isso, vi-me numa posição em que não esperava ver. Várias vezes arranquei o sentimento do peito e pu-lo numa cadeira ao pé da minha mala, só para o poder ouvir e aconselhar, porque me preocupava genuinamente com a sua cabeça confusa, com as coisas fabulosas que ele não via sobre si. Porque me partia o coração vê-lo desamparado. Ele não estava preparado, para mim, para ele, para a mudança, para a vida. E eu queria ajudar. Afagar a sua cabeça, deitá-lo no meu colo, e dizer-lhe que ia ficar tudo bem.
Mas percebi que afinal não era bem assim. Era tudo uma questão de perspectiva.
Afinal ele estava preparado para dar tudo, para investir tudo, para se atirar de cabeça, para ir à luta. Somente não comigo.
Tentei ainda fazê-lo entender que a minha amizade não podia ter continuação. Para que não estranhasse a distância. Ele ignorou a minha explicação. Mas eu já tinha entrado no processo erradicação, que normalmente demora a ser encetado, mas uma vez iniciado, é para mim irreversível.
Não sinto mágoa, já. Porque na realidade não perdi muito. Nem na sua amizade soube estar à altura, não procurou ajudar-me, preocupar-se com o meu bem-estar, sentimentos, necessidades. Daí que, na realidade, eu não precise daquela amizade, também unilateral. Mas não o cobro, o que dei, dei sem querer nada em troca. Para mim fazê-lo é retorno suficiente.
É natural que não irei conhecer as suas novidades, as suas mudanças, não darei conselhos sobre novos amores ou o futuro profissional. Não tenho vontade de o seguir.
E com isto, encerro este assunto.
Estou bem, agora sim, bem , serena, aliviada. Porque me libertei dessa expectativa inconcretizável. Percebi finalmente que "fui o que fui". Não foi especial, não foi diferente, não foi importante para ele. A vida é assim mesmo.
Agradeço o enorme ensinamento. Agradeço o empurrão. Move on. And so I did.
Já não sinto amor, paixão, tesão, o que seja. Sinto como a um estranho que não conheço e ao qual nada me leva a querer conhecer.
Fecho um capítulo. E abro outro.
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