É preciso matar as pessoas. É preciso deitar fora o amor que temos por elas, é preciso conhecermos a nossa existência sem elas. É preciso nos esquecermos da importância que têm na nossa vida e dos pormenores únicos das cumplicidades que com elas construímos. É preciso apagarmos as pequenas memórias, os gestos, os sorrisos, é preciso que as suas vozes sejam apenas sons, é preciso esquecermo-nos do beijo, do gosto, do sabor que elas têm. É preciso convencermo-nos de que não o apreciamos. É preciso fazer viagens, solitárias, e tirar da cabeça, de uma vez por todas, que tudo pode voltar atrás. É preciso desistirmos delas e acreditar que é melhor assim. É preciso um processo. Que dentro de nós seja irreversível.
É preciso voltar-me a apaixonar-me todos os dias, por alguém que não sejas tu.
Preciso de voltar a ser eu, antes de ti. É preciso correr em passadas largas, sem olhar para trás, para outro sítio, para outras terras, para outras pessoas diferentes. É preciso fugir do sentimento. É preciso agarrar a razão. Escrevê-la num quadro, pendurá-la num espelho, para que me veja dentro dela, todos os dias.
Será preciso morrer e matar, e nascer novamente, para que definitivamente eu deixe de te conhecer.
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