Não tenho tempo. Nem para isto, nem para aquilo que eu ando para fazer há que tempos. Nem tempo, nem pachorra. Ou seja, o que não tenho mesmo é vontade. Até posso ter, mas a partir da altura em que mo perguntam directamente, imediatamente deixo de a ter. Gosto de ser eu a escolher. Gosto de ser eu a ter a iniciativa e de receber toda a disponibilidade deste mundo e do outro para isso.
Fora isso, ando num marasmo emocional. Ando na parvoeira do assim-assim, do mais ou menos, do vai-se andando, quão abjecto é isso? Muito. Não entendo porque estou com dificuldades em me apaixonar ou em me deixar ir. Estou naquela fase em que ir ou ficar, sair ou ficar em casa é igual. A paixão pega-se como uma epidemia rara, e não há ninguém que me faça o favor da contaminação.
A verdade verdadinha é que tenho andado a fugir dos sensoralismos fáceis, daqueles que só são bons durante uma hora. Porquê? Sei lá.
Está calor. E o calor puxa os corpos nus, a vulnerabilidade do sexo e a guerra do fazer amor, tudo num só sítio. É isso que eu quero. Preciso. Libertar-me. Mas como isso, nunca é só isso, para mim tem de ser mais, e não há ninguém que me faça ser mais. E eu menos, obrigadinha, mas não quero.
Tenho vontade de ir ter com um estranho e pedir-lhe que me tire o chão, que me faça voar, que faça amor e sexo comigo, que me faça apaixonar, que me dispare para outra dimensão. Só isto é que vale a pena.
O resto é, um pão sem sal.
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