Vêm aí tempos (ainda mais) difíceis. Vêm tempos de tempestade. Hoje foi um dia de perdas. E nós, todos alinhados, feitos bovinos, à espera de que um número, o nosso número, saísse na rifa para nos encaminharmos ao matadouro. Tinha de ser assim. Só podia ser assim. Atirem-nos com o balde de água gelada de vez, enquanto ainda estamos quentes.
Tudo já está diferente. Tudo menos as saudades que se antecipam e as outras que já se sentem.
Até que um dia deixamos de pensar nisso e levamos o nosso dia a dia como se nunca tivesse sido diferente. Não sinto nada. Estou dormente. Ausente. Impassível. Intangível. Nada é surpreendente. Já tinha visto isto a acontecer. Tudo à minha frente. A única coisa que resta decidir é como agir sobre isto. Por-me a caminho. Já me fui desfazendo de algumas coisas. Há outras que não têm desfazia possível.
Sangue e amor, isso não se descarta.
O resto, terá de ficar pelo caminho…
Hoje, em conversa com um amigo, percebi que me falta um [O]. Aquele com quem partilho valores e opiniões. Com quem partilhava absolutamente tudo. Isso sim, sinto falta. Mas faz tudo parte de um processo.
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