Tudo começa nos dois segundos anteriores ao teu beijo. O meu coração pára. Acelera. Pára. O meu corpo contrai-se. A minha pele arrepia-se. Aproximas os teus lábios dos meus. Invade-me o verão. A areia da praia, o mar salgado, o doce cheiro a liberdade. A temperatura. A vertigem. Os meus olhos procuram os teus, antes de se fecharem. E os teus estão lá. Sinto que sentes o mesmo. E que queres mais. Queres aproximar-te. Mas, como eu, não queres dar por terminados os instantes que antecedem ao turbilhão que nos espera. E cedemos. Os lábios tocam-se, a respiração perde o controlo. Os corpos magnetizam-se, um para o outro. E não se aproximam o suficiente, não há como. As línguas fundem-se, acariciam-se, brincam com as sensações que provocam. E o que provocam, o desejo não consegue apagar. As minhas mãos descobrem o teu corpo, fazem-no meu. Cada pedaço de ti é belo. Cada pedaço é um licor embriagante. As tuas mãos, fazem a mesma busca em mim. E sabem bem. O meu corpo vai ao encontro delas. O teu sabor mistura-se ao meu e torna-se num só. O meu cabelo dança no teu rosto numa medida em que não o queres afastar. Os teus dedos enrolam-se nele, e as minhas pernas sobre o teu corpo. Quero ser tua, e digo-to para que não subsistam dúvidas. As minhas palavras intimidam-te, mas tu gostas da minha franqueza. Todo o espaço é pequeno para o nosso amor.
Peça a peça, a minha roupa escorrega de mim pela tua mão. Nem por um momento, os nossos lábios se afastam. Procuram um pescoço, uma orelha, um peito nu, cada sabor é único. Quero-te dentro de mim, e tu queres-me sentir só tua. Prolongamos a espera. Sem respiração, sem fôlego, sem razão, a tesão é um prolongamento da paixão. Queremos afogarmo-nos um no outro, e a espera amplifica tudo numa medida em que nenhum dos dois pensou ser possível.
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