Tuesday, June 26, 2012

E de repente, estou feliz porque estou, estou feliz porque sim. Estou feliz porque tenho o coração cheio, de tudo e de nada, tenho uma energia leve que me move, que me faz tremer, que me dá nervoso miudinho, que me faz sorrir sozinha, sem motivos, porque abri o peito, que tinha fechado para o mundo, e porque as nuvens desfizeram-se dos meus olhos. Abri-os e vi outros azuis, porque o amor, seja este no formato que for, perdure ele por duas horas ou por duas vidas, forma-se no sorriso dos lábios que me beijam, nos braços que me apertam, na vontade que faz baixar guardas e correr atrás do que não se pode perder, que estas emoções têm de se agarrar a duas mãos e gritar a plenos pulmões. 
Porque tens o sabor do mel e da canela, o cheiro de flores mornas, madeira, a óleos orientais e a gengibre, tens o toque da seda, do pêssego, da pimenta e as tuas mãos são as águas cristalinas do Índico onde sei que vou submergir até perder o fôlego. 
Não. Não vou fugir. Quanto muito vou correr. Para o lugar onde já sabes.



Sunday, June 24, 2012

Afinal, às vezes é preciso estragar tudo para que as coisas boas possam acontecer.
Acho que ainda não estou bem em mim.. fico com um sorriso idiota nos lábios quando me lembro de ti. E sinto um arrepio na pele quando, ao fechar os olhos, posso sentir os teus lábios novamente.. e as tuas mãos pelo meu corpo... não sei onde fui buscar forças para me vir embora, para vir costas a ti... ficou um desejo por concretizar, um desejo que nenhum de nós vai querer deixar passar em claro durante muito tempo. Quero-te, mas quero mesmo.. quero mais de ti, já há tempos que não queria mais nada de ninguém, mas de ti, quero mais... a nossa química, a empatia da nossa pele, mãos nas mãos, rosto com rosto, cheiro com cheiro, peito com peito, é uma magia que não acontece todos os dias..  quero-te, e é isso.



Saturday, June 23, 2012

Estraguei tudo, como sempre faço. Sempre. Quando aparece, por magia ou dádiva, na minha vida, alguém que parece ser especial. 
Quando esse alguém, é um alguém suficientemente forte para se aproximar, a sério, quando esse alguém pode ter um acesso directo à minha atenção... quando tem tudo.. eu fujo, induzindo a que propositadamente não goste de mim. Não dou resposta, prometo encontros que não posso cumprir, sempre ocupada com os planos do costume, lá me ponho a inventar defeitos, a arranjar desculpas para não me mexer, dou e tiro, sou quente, e a seguir fria. E quando me apercebo do que acabo de fazer e tento voltar atrás.. é tarde, é sempre tarde, estou sempre adiantada ou atrasada para o meu tempo. 
Agora, só por um bocadinho, apetecia-me que fosse inverno. Só para poder, debaixo de mantas, cantar isto  ao ouvido de um alguém.


Thursday, June 21, 2012

E quando a noite tem tudo para ser só mais uma noite, só mais uma música, uma foto, um pifo, o que seja, decido arriscar..
Não vou descrever como foi dançar assim, não quero porque estas palavras não vêm no dicionário.. sei que foram olhos azuis. Sei que me apaixonei. Sei também que não deve durar. Sei que ainda estou a tentar catalogar os defeitos, mas desta vez não consigo fazer comparações. A mensagem no telefone, assim que cheguei a casa. 
Tenho o seu cheiro na minha roupa no meu cabelo.
Vinha a ouvir isto no carro. E arrepiava-me a lembrar-me das suas mãos na minha cintura.
É isto.



Sunday, June 17, 2012

Miscs

*
As festas dos santos populares deixou de ser uma comemoração para ser um sítio e um momento onde todas as pessoas, durante alguns dias, deixam cair as máscaras e impunemente dizem e fazem tudo o que lhes manda o mais cru dos seus instintos. 
Este ano será diferente, jurei eu a pés juntos, já não me apetece tanta loucura, já tive o suficiente, quero poder finalmente subir as escadas para outro patamar. 

**
Jogaste uma carta suja comigo. Como se me lesses e soubesses ao que sou sensível. 
"Lembro-me de ti, no mesmo sítio há um ano atrás. Na altura não tive coragem de vir para a luz para falar-te, mas hoje decidi não deixar passar mais um ano."
Eu sei, também me recordo de ti. A olhares-me pelo canto do olho, discreto, normalmente atrás de mim. A sorrir-me se os nossos olhos se encontravam. Ofereceste-me ajuda em tua casa, mesmo ali ao lado, e eu, instintiva e imprudentemente, fui. Apresentaste-me ao Beck e achaste curioso que ele simpatizasse comigo sem sequer ladrar. Seguraste-me na mão e levaste-me por dentro daquele mar de gente sem nunca a largar. Senti as tuas carícias no meu pulso, no meu braço, à volta da minha cintura quando a turba nos esmagava.
Quando percebeste que eu, como sempre, já ia a fugir, procuraste os meus lábios, embora contra a minha vontade. 

***
Descendo as escadas para me libertar, outro encontro mais ou menos imediato. Ameaçaste, horas antes, que me ias encontrar no sítio do costume. O que eu não contava, era que o teu sorriso me derretesse, que os teus olhos me brilhassem, e que as conversas ao ouvido nos levassem inevitavelmente ao encontro dos nossos lábios. E que vontade tive de levar-te comigo. Não o fiz. Não quero mais encontros amorosos enganados pelo álcool.
Ficou a minha promessa de uma ocasião menos extasiada a qual tenciono cumprir cabalmente, se tiveres paciência para me esperar.

****
A promessa cumpriu-se. Procuraste-me com os teus olhos doces e o teu sorriso meigo e eu não te consegui resistir. Não era a minha intenção beijar-te no meio das hordas de gente, de tantos olhares, de tanta confusão..  acho que desisti de tentar encontrar razões para ser forte contigo. Adoro beijar-te, adoro sentir-te. Adoro a forma desprendida como me dizes que estás apaixonado por mim, desde a primeira vez, como me garantes que eu posso passar mais um ano a fugir de ti, mas que ali e agora, vamo-nos sempre encontrar e vai ser sempre explosivo. Não tenho grandes argumentos ou opinião sobre isso. Oiço-te sorrindo, fazendo as minhas contas às palavras que me dás, e aos gestos que as acompanham. Vou avaliando e medindo aquilo que te posso e quero dar. Novamente, de modo tímido, confessaste que eu te deixo sem jeito, que te intimido e que te levo a perder o controlo do que me dizes, face ao que tinhas planeado. Acho-te graça, é delicioso ouvir-te e ver-te, ao sabor da nossa empatia emocional e física.
Ainda não decidi bem o que quero de ti e onde isto nos vai levar... vou deixar-te jogar as tuas cartas.

Sunday, June 10, 2012

Nada como uma manhã depois de uma noite, e uma tarde depois disso para nos fazer recuperar perspectiva. Voltamos à luz do sol, à sobriedade dessa claridade, à inevitabilidade do que não pode ser diferente. A noite não é real. O que lá acontece, não se transpõe para o dia a seguir. A razão tem de se sobrepor, esclarecendo para não dar muita importância às emoções que, sem querer, despontam de pequenos pormenores. Rapidamente os sinais se transformam em equívocos. A possibilidade que gostamos de construir à volta disso, é tão confortável como um romance que alguém inventou para as pessoas se sentirem bem consigo próprias, nas tardes de domingo no cinema. É só isso. Não é real. 
Não me interpretem mal, mas preciso da liberdade da descrença. O desprendimento. 
Só posso ser verdadeiramente livre, se não amar. Porque chega sempre o momento do nosso egoísmo, e eu preciso dele. 
Tenho a serenidade que não tinha há uns tempos atrás em que acreditava que tinha de correr atrás de tudo, receando de perder grandes oportunidades que a vida me podia estar a oferecer.. Já não penso assim. Penso que as oportunidades não são coincidências ou acasos. São construídas. Quando chegar a minha oportunidade, sei que me vai olhar nos olhos e não me vai deixar fugir. 
Tenho um sangue incorrigivelmente romântico, e sendo procurada três vezes na mesma noite, por três homens diferentes (A., D. e F.) não pude evitar de imaginar três vidas diferentes, três formas hipotéticas de poder ser amada, de me sentir completa. Três destinos, três pessoas que me fizessem deixar de pensar. E nenhuma dessas possibilidades seria completa ou natural. Não vou gastar sequer energia a tentar encontrar o amor nesses sítios. O amor vai ter de me encontrar e há-de ser tão violento como um atropelamento. Vou ter de perder os sentidos e a orientação. Vou ter de perder o chão e voar ao céu. Se não for assim, é outra coisa.
Lamento, mas não estou disponível para vos amar. 

Saturday, June 9, 2012

Demónios em dias de santos


Não sei porque continuo a enganar-me a mim própria, a ignorar os meus instintos. Eu sei, eu sinto, as coisas, ainda e sempre. Quando sinto que não devo ir por determinado caminho, quando o meu corpo me diz que não é para ir, é porque não é para ir. E mesmo assim, teimosa, fui. Ainda bem. Só para constatar que não devia ter ido.
A fugir às tentações, literalmente, a escapar, a escapulir-me quando sei que pode acabar mal. Também o sei fazer, quando estar ou não estar, não me faz diferença, não faz diferença. 
Não. Não quero isto, que isto não chega, que eu quero mais. 
Deixem-me o corpo, deixem-me a alma, que o que eu quero não me podem dar. Eu quero eu. Eu quero sentir e quero fazer sentir. Seja pelo tempo que for. 
Assombras-me pelas vias tecnológicas, persegues-me sem sequer aparecer. Uma mensagem aqui, outra ali. Que me queres, que tens de me ver. Sabes o que queres de mim, e di-lo sem restrições. Mexes comigo. E talvez por isso venha a ceder. 
Não sei o que quero. Não gosto de me sentir perdida de coração. Talvez porque não sinta nada, e sentir nada, não é estar viva. 
Acho que não me quero encontrar, não para já.

Friday, June 8, 2012

Fugir da tentação, quando todas as perspectivas de sentir o que quer que seja são normalmente insuficientes, é anti-natura, é contra-senso, faz mal.
Talvez esteja a crescer. A separar o que sabe bem do que faz mal, como o trigo do joio. Não sei se a minha determinação será persistente o suficiente para vencer outro encontro. Quando sinto o teu cheiro a milímetros de mim, esvai-se qualquer noção de racionalidade, tal como de tempo ou de espacialidade, o mundo desaba à minha volta, todas as pessoas que não são tu, desaparecem, e todo o meu corpo se magnetiza ao teu. Os meus lábios só se querem colar aos teus, quero esse pescoço, esse braço à volta da minha cintura, a minha barriga a tocar a tua, as nossas pernas entrelaçadas.. Não há razão que explique a fuga do prazer que já sei que vou ter. A minha pele foi feita para a tua, nem que seja só assim. Não me procures e, especialmente, não me encontres que eu só consigo ser um bocadinho forte. Mesmo sabendo que é o que é, que ninguém quer nada de ninguém, o teu corpo quer o meu, e o meu, o teu. E isso pode ser tudo, durante um bocadinho. 

Sunday, June 3, 2012

Só tu me fazes chorar, só tu tens essa capacidade. Tenho o peito fechado a absolutamente tudo o resto. Menos a ti. Menos à crueldade com que apontas directamente às minhas feridas. Só tu mexes com as minhas inseguranças, só tu me consegues fazer sentir pequenina. Só tu que deste vida, só tu consegues retirar luz dela. Odeio amar-te. Odeio.
Desta vez não te vou perdoar. Nem que tenha de purgar de mim todo o sangue que me liga a ti.
Não te perdoo teres-me feito chorar. Não te perdoo por quereres ocultar a estrela das coisas boas que me têm acontecido.
Vai à merda. Não é assim que se ama. Vai aprender como isso se faz. E depois falamos.

Friday, June 1, 2012

Alfabeto

“Como é que está o B?” “Podes dar um recado ao B?” “Quando é que tu e o B aparecem?”
É complicado lidar com a inconveniência desta associação sem entrar em pormenores, ninguém entende, mas já antes o era assim. E, ardilosamente, finto constantemente este tema, sem dar muitas informações, sem grandes emoções. Porque estou a arrumar este assunto. A desconstrui-lo. A adaptar-me a um modelo novo. Mais light. 
Nunca juntar os meus homens favoritos foi tão pouco. 
Entendam que A e B por esta ordem de ideias, já não é um conjunto, já não é a sequência lógica deste abecedário, se é que alguma vez o foi, A e B já não significa apenas uma letra. São apenas dois símbolos aleatórios do alfabeto, outros agora se interpõem entre eles. Agora é, terá de ser AX, BZ, o que for. 
E do nada, conversas que nos esmurram o estômago “e vocês? Apostei uma nota em vocês” [sorrio, mudo de assunto, que isto nunca foi assunto].
Não saber de B é estranho. Parece fazer pouco sentido. Não haver assuntos que queiramos encetar, não haver a cumplicidade, a propriedade de nos conhecermos exaustivamente um ao outro, é… triste. Faz-me falta, tenho saudades. Tenho coisas para lhe contar, conselhos para pedir, sorrisos por partilhar, abraços por agarrar. Mas não. Foram demasiados encolheres de ombros. Agora é a minha vez. Eu mudei. As amizades e os afectos terão de se fazer valer por mim. Terão de me convencer que valem a pena, tal como são. Terão de me fazer sentir a pessoa especial que sou. Todos os dias. 
Mas não. Não somos gatos, mas deixamos para outras vidas o que já devíamos ter feito. 



Quanto ao resto, o futuro, apesar de incerto, começa a clarear. A opção provavelmente será a n.º 3. Seja como for.. um dia acordamos e está tudo diferente. Estaremos preparados?