Wednesday, May 30, 2012

3

Três modelos diferentes. Três realidades diferentes. Três perspectivas de vida. Apenas um ponto em comum.
A escolha só poderá ser uma.
Angola.
Moçambique.
Brasil.


Tuesday, May 29, 2012

Vêm aí tempos (ainda mais) difíceis. Vêm tempos de tempestade. Hoje foi um dia de perdas. E nós, todos alinhados, feitos bovinos, à espera de que um número, o nosso número, saísse na rifa para nos encaminharmos ao matadouro. Tinha de ser assim. Só podia ser assim. Atirem-nos com o balde de água gelada de vez, enquanto ainda estamos quentes. 


Tudo já está diferente. Tudo menos as saudades que se antecipam e as outras que já se sentem.

Até que um dia deixamos de pensar nisso e levamos o nosso dia a dia como se nunca tivesse sido diferente. Não sinto nada. Estou dormente. Ausente. Impassível. Intangível. Nada é surpreendente. Já tinha visto isto a acontecer. Tudo à minha frente. A única coisa que resta decidir é como agir sobre isto. Por-me a caminho. Já me fui desfazendo de algumas coisas. Há outras que não têm desfazia possível. 
Sangue e amor, isso não se descarta.

O resto, terá de ficar pelo caminho…

Hoje, em conversa com um amigo, percebi que me falta um [O]. Aquele com quem partilho valores e opiniões.   Com quem partilhava absolutamente tudo. Isso sim, sinto falta. Mas faz tudo parte de um processo. 

Monday, May 28, 2012

E hoje, pela primeira, vejo-me confrontada com a inevitabilidade da sobrevivência. Já não lugar aqui para mim, para aquilo que valho. Está na hora. Fazer as malas e partir. À procura de uma vida diferente. 
Uma vida melhor.

Friday, May 25, 2012

A vida é feita de tesão. E o tesão é feito de adrenalina. E a adrenalina é feita do novo. Nem que seja velho: a adrenalina é feita do novo.
(...)
Aprende: a vida é feita de virgindades perdidas – de momentos em que, pela primeira vez, sentes que havia vida para além da vida que era a tua; de instantes em que, pela primeira vez, ousas fazer o que nem sequer estava na tua vez. A vida, repito, é feita de virgindades perdidas: de virgindades vencidas – de virgindades que se vencem e que te fazem ganhar na vida.
Pedro Chagas Freitas

Banho de imersão. Longo. Vinho. Dois cálices. Banho. Som. Cozinhar para mim, mimar-me, cozinhar para alguém, mimar alguém, adoro. Amo. Devia ser proibido não cozinhar para alguém, todos os dias. Não dividir uma sobremesa. Não beijar alguém todos os dias. 

Felizmente, há uma virgindade que venço cada vez que faço amor.

Tuesday, May 22, 2012

Waiting


Ainda à espera. Que alguma sensação de perda se abata sobre mim como uma sentença, como a notícia da partida de um ente querido.

Nada. Ainda nada.

Só uma leveza nos movimentos. Talvez porque finalmente tenha chegado a perceber o meu valor. Porque sou mais e melhor. Porque tenho a consciência da dimensão da minha presença, da profundidade do meu carinho, da perspicácia do meu entendimento, da minha sensualidade, da beleza que não é só fútil. Eu sou uma grande mulher, porque já fiz grandes coisas, já consegui grandes resultados, já me superei a mim mesma por diversas vezes, consegui dar amor em cima de tudo e isso tem de ser grande. Isso tem de ter grande valor. Em vez de me lamentar, tenho-me olhado no espelho com uma espécie de agradecimento. Quantas mulheres me olham com desdém, com inveja? Olho-me e vejo que tenho [quase] tudo para ser feliz. Tenho tudo para procurar a minha sorte, se é que já a não encontrei.

Talvez seja por isso que estou leve, livre. Porque não consigo lamentar outras preferências. São o que são. 
Quem gosta de amêijoas, jamais terá dentes para me apreciar.

Ainda nada.

Nem tristeza, nem rancor. Precisava dela para justificar a minha decisão. Mas não. Nada. Não consigo perceber. Sinto apenas coisas boas. Hoje cresci mais um bocadinho.

I’m on my way [sorrio]. 

Monday, May 21, 2012

Posto isto, este assunto encerra-se definitivamente para mim. Não vou mais falar, escrever ou ler sobre isto. Não quero mais. Sinto, para além de tudo, um grande alívio por ter chegado ao fim. Nem tristeza, nem mágoa, nem vazio. Finalmente cheguei ao ponto da inevitabilidade. Os meus sentimentos e opiniões, nesta fase da minha vida, mudam ao segundo, e com isso não consigo bem lidar. Sei que eventualmente vou sentir saudades, mas agora não sinto nada. Talvez mais um sintoma de dormência.
Estou simplesmente disposta a virar a página e, desta vez, certa e convicta a cem por cento, que não quero o que me faz mal. Tenho uma estranha sensação de liberdade e de desprendimento. Acho que só quem é completamente honesto consigo próprio poderá verdadeiramente ser livre.
Este assunto fica entre nós. E nós, nunca mais seremos nós, mas apenas um e outro num tempo em que nos costumávamos conhecer.

Sunday, May 20, 2012

Starting over again

Não vou mentir. Porque estou farta de mentir. Não consigo continuar com estas mentiras. Doeu saber que te dói outra mulher. Já não és meu, definitivamente já não és meu. Perdi-te. Nunca te tive na realidade. Gosto de ti, nem consigo explicar porquê, não há nenhum motivo para gostar de ti. Por mais que racionalize e tenha para mim que seria incapaz de ter contigo alguma espécie de relação, dói-me saber que gostas de outra mulher, dói-me saber que não sentes nada por mim. Nunca sentiste, foi tudo fruto da minha imaginação. Porque é que eu não consigo de uma vez meter isto na cabeça? Nos jogos afinal sou eu que faço bluff e finjo, escondo-me, para continuar a poder estar perto de ti. Finjo que é igual, que não me afecta, que sou capaz de ser maior, dar-te conselhos sobre como conquistares outra mulher, finjo que quero que caias nos braços dela, quando na realidade, dói. Não consigo levar mais isto adiante. Não consigo. Dói-me. Dói olhar para ti e saber que o teu coração pertence a outra pessoa. Não consigo mais ser só tua amiga, fingindo que não quero morder os teus lábios e perder-me no teu corpo, que o teu cheiro não me faz disparar o coração para fora do peito. 
Não posso mais. Deixa-me ir. 
Sê feliz. Adeus. 

Saturday, May 19, 2012


Às vezes basta apenas uma palavra para retomarmos de onde deixamos.
Adoro-te por isso.


Amores, afectos e despedidas

#1 - N
Precisei de estar contigo hoje, meu amor. Precisava daquele abraço que só tu me sabes envolver. E tu vieste a correr. Abraçaste-me como se não houvesse amanhã. Afagaste a minha cabeça, respiraste o meu cheiro de que me asseguraste tanto sentir falta. Chamaste-me a mais linda, a mais inteligente, a mais competente... o que eu precisava de ouvir e de sentir isso novamente.. Só nos teus olhos consigo ser essa mulher que me vês, só tu me  amas sem condição, só tu me fazes ser, pertencer. Hoje soube, como se sabe o nome, ou o dia em que se nasceu.. podem passar décadas, vamos ser sempre o amor um do outro. Este amor não tem regras e razão. Existe simplesmente porque nós os dois existimos e porque, num dia improvável, os meus passos tropeçaram nos teus. 
Ainda te amo. Não sei se estou preparada para voltar a viver contigo, como me pediste, vezes sem conta. Que me fazes falta, é um facto. Vou pensar com muito carinho. Prometo. 

#2 - B
Os afectos, os sentimentos, essas coisas que fazem o corpo reagir para além da razão, são assim mesmo. Podemos fugir, fingir, mentir, fazer juras de sangue que não os temos, que não existem dentro de nós, até chegar ao momento em que são inevitáveis. Fazem-nos lembrar porque é que estamos aqui, porque somos o que somos, porque o destino nos leva a certos sítios, nos cruza com certas pessoas. Muitas vezes são lugares sem saída. Muitas vezes são tapetes sem fundo. 
Mesmo sem saber se essa rua tem saída, ou se é apenas uma partida cruel do acaso, fico feliz por saber que tens sangue nessas veias. 
Mesmo que não me contes das coisas, ou me mintas e a ti sobre isso. Fico feliz, especialmente por perceber que afinal és um homem comum, que te mexem as coisas comuns. 
Não sei bem em que pé está a nossa amizade, nem se será possível retomá-la do ponto onde ela tinha ficado. Partiu-se algo entre nós. Porquê mesmo? Qualquer coisa insignificante que nem consigo entender. Mas seja como for, adoraria que partilhasses comigo essa felicidade que descobriste que é estar vivo. 
Quero muito que encontres o teu caminho e que ele te leve a essas coisas banais que são o amor e a felicidade. Não sei bem que ideia tens da minha amizade por ti. Mas é genuína. Dás alegria à minha vida. Como irmãos que em tempos fomos. Temos esse sangue comum. Ou tivemos, não sei.
Não te posso dizer isto, porque não sei se o vais entender da forma como o sinto. 
Mas seja como for, e não voltarmos a falar... faz-me o favor de ser feliz. 

Friday, May 18, 2012

De repente, num segundo, a vida cai em cima de nós como uma chuva tropical, a qual não tem aviso, não tem previsão possível. 
É curta e imponderável, sejam quais forem os nossos planos. Para o lixo com eles. "Nós fazemos planos e Deus ri-se deles".

Cancro. Tenho medo. Cada vez uma iminência mais próxima. Cada vez mais os sintomas. Posso tentar ignorar a probabilidade genética, de vários casos familiares próximos, um dos quais me levou umas das pessoas mais queridas. Tenho medo. Precisava que segurassem a minha mão e me dissessem, sejam quais forem os resultados, vai ficar tudo bem. Pode não ficar. E se não ficar? E se me tocar a mim, como eu intuo e sinto que vai tocar? O que faço?

A medicação que tenho, tenho, tenho, e estou a deixar de tomar. A medicação que é a minha bengala há tantos, demasiados, anos para os meus trinta e dois de vida, está tão entranhada no meu sangue, que me castiga por todo o meu recurso fácil a ela. A adição. Como resolvo? Como parar estes tremores, esta náusea, estas dores no corpo, esta constante cisão do meu pensamento, esta aniquilação do raciocínio? Esta sensação de impotência? Como estabilizar as minhas variações emocionais? Como não entrar em pânico com as decisões mais banais do dia a dia? A quem contar? Como esconder isto tudo, para que não me considerem menor? Como não afectar o meu trabalho, como não decepcionar os meus amigos, como guardar tudo para mim não incomodar ninguém? Ninguém entende. Ninguém entende o que é ser uma junkie por opção. Ninguém entende uma cara estranha ao espelho. Uma sombra do que já se foi.

Alzheimer. A minha mãe. Bipolaridade. Suicídio. Bronquite asmática crónica. Impotência. Deixá-la ir? Como agarrá-la a este mundo e mantê-la sempre perto de mim, racional e sensata, como sempre a conheci? Como não associar esta pré-disposição hereditária às minhas constantes variações de humor?

SOB (síndrome obsessivo compulsivo). Como ajudar o meu pai a controlar a raiva, o ódio, a agressividade perante uma almofada fora do sítio? Como perdoar que tenha descarregado sobre a minha mãe, da forma mais violenta e cobarde que existe? Como separar o amor e o ódio que se sente por alguém?

Como não me decepcionar quando as pessoas que mais gosto na vida não se preocupam com o que eu carrego às costas? Como fazer com que entendam que não consigo sozinha? Como não cansá-los quando eles chegam a conhecer de perto a imensa escuridão que preenche a minha alma? 

Esconder. Talvez se conseguir esconder muito bem, as pessoas não cheguem verdadeiramente a conhecer o meu lado negro. Como as pessoas não têm a noção do esforço que eu faço para lhes dar apenas o que de bom me vai restando, não entendem como me entristece que me devolvam indiferença. Depois de todo o meu esforço. Depois de eu ter de me reinventar, lutar contra mim, e contra o resto, esquecer a merda com que já levei em cima, as desconsiderações, as pulhices, tudo o que, para alguém normal, seria puramente perda de tempo. Sempre acreditei que as pessoas valem a pena, enquanto virmos nelas uma luz que nos conforta. Por isso eu fiz um esforço. Ninguém, ninguém tem a noção do que me custou. Mas fi-lo sem arrependimentos. Para ainda me dizerem que sou fraca. Que me ponho a jeito. 

Porra. Como fazer quando, a esta temperatura, tremo de frio, e tudo o que precisava para me aquecer, era um abraço, quando não há ninguém, ninguém, ninguém para abraçar?

Não quero estar zangada com ninguém, quando na realidade, só o estou comigo própria. 
Desculpem-me qualquer coisa. Mas eu já não consigo ser melhor.

Thursday, May 17, 2012

N


Sonhei contigo. Que te perdia definitivamente. E contigo perdi-me de mim própria. Todos têm razão. Por muito que eu tente fingir, por muito que tente mentir. Não te resolvi ainda. És e vais continuar a ser o meu amor. Todas as minhas referências, todas as minhas inspirações de amor, de paixão, têm o teu nome escrito. 
Tantos anos juntos, a sermos um do outro, terminou assim. Como é possível?
Tenho saudades das nossas cumplicidades. Do nosso companheirismo. De me conduzires para todo o lado.  De cantarmos juntos e desafinados, em voz alta, a banda sonora que gravavas especificamente para cada viagem. De me ensinares sobre música ou ciência. Horas de conversas sobre tudo. A urgência em contarmos cada segundo do nosso dia um ao outro. De cozinhar para ti, enquanto dissertavas horas sobre as tuas paixões académicas. 
Não sei qual o processo que preciso de passar para te resolver definitivamente. Por muito que eu finja que as paixões de todos os dias são o suficiente, não são. Nunca serão. 
Estou triste. Estou magoada. Achincalharam-me onde me dói mais.

Brio profissional. Chamem-me feia. Chamem-me gorda, esquelética, burra, ridícula, mau feitio, orgulhosa de mais ou de menos. Mas nunca, nunca, nunca, incompetente. Por uma simples razão. NÃO é verdade. Eu sou boa - muito boa - no que faço. Por uma simples razão. O que faço, faço por paixão e por prazer, e isso faz toda a diferença. E faço depressa. E bem. Eu racionalmente entendo que a arrogância deriva de uma frustração muito própria que, por sua vez, é um resultado das limitações pessoais. E portanto, não me devia afectar, porque sei que sou mais e melhor. Mas hoje não foi um bom dia para mexerem comigo. Hoje foi o dia que disse basta e mandei à merda a quem devia. 

Afectos. Porque eu tenho um defeito incorrigível nesta altura, já que caminho a passos largos para a idade de cristo, sou demasiado sensível. E fizeram-me deixar de acreditar. Na genuinidade das pessoas, dos afectos, dos carinhos, das relações. Porque aparentemente isso tudo é uma mentira desenhada para manter uma companhia. Essa merda doeu-me. Porque eu não sou só mais um lugar à mesa, ou mais um copo de cerveja ao balcão, ou uma cadeira no cinema. 

Estou triste e tenho vontade de chorar. Não posso ser sempre a mulher de ferro. Aqui no meu cantinho posso ser só eu, a mulher frágil e sensível que ninguém quer ver.

Tuesday, May 15, 2012

" faço de conta que não vejo o que querem de mim, faço de conta que não estou a perceber, faço de conta que estou interessado… esse jogo ainda jogo, jogo para não estar sozinho, jogo para estar com as pessoas de quem mais gosto…"

Estas palavras não me saem da cabeça e não acredito que signifiquem o que disseste. És uma merda por acreditares nisto, por teres posto isto em palavras e mais ainda por estares a agir em conformidade.
Mataste o meu carinho por ti.
Perdi a vontade de te ler, de te ouvir, de te ver, de sequer te conhecer.
Não te perdoo por isto.


Não tenho tempo. Nem para isto, nem para aquilo que eu ando para fazer há que tempos. Nem tempo, nem pachorra. Ou seja, o que não tenho mesmo é vontade. Até posso ter, mas a partir da altura em que mo perguntam directamente, imediatamente deixo de a ter. Gosto de ser eu a escolher. Gosto de ser eu a ter a iniciativa e de receber toda a disponibilidade deste mundo e do outro para isso. 
Fora isso, ando num marasmo emocional. Ando na parvoeira do assim-assim, do mais ou menos, do vai-se andando, quão abjecto é isso? Muito. Não entendo porque estou com dificuldades em me apaixonar ou em me deixar ir. Estou naquela fase em que ir ou ficar, sair ou ficar em casa é igual. A paixão pega-se como uma epidemia rara, e não há ninguém que me faça o favor da contaminação. 
A verdade verdadinha é que tenho andado a fugir dos sensoralismos fáceis, daqueles que só são bons durante uma hora. Porquê? Sei lá.
Está calor. E o calor puxa os corpos nus, a vulnerabilidade do sexo e a guerra do fazer amor, tudo num só sítio. É isso que eu quero. Preciso. Libertar-me. Mas como isso, nunca é só isso, para mim tem de ser mais, e não há ninguém que me faça ser mais. E eu menos, obrigadinha, mas não quero. 
Tenho vontade de ir ter com um estranho e pedir-lhe que me tire o chão, que me faça voar, que faça amor e sexo comigo, que me faça apaixonar, que me dispare para outra dimensão. Só isto é que vale a pena. 
O resto é, um pão sem sal. 

Friday, May 11, 2012

Memórias

Para onde foste, para onde foi tudo que tu eras? Não posso aceitar que desapareceste da vida de toda a gente que tocaste. Não quero, não quero. Lembrei-me de ti. Agora mesmo. Rebentei em lágrimas. Tio, padrinho, amigo, irmão. Encobrias as minhas traquinices do meu pai. Safaste-me tantas vezes. Lembro-me sempre de ti a sorrir, sempre, tinhas um sorriso imenso, e acredito, no fundo do meu coração, que ainda tens, isso não pode ter desaparecido, essas coisas não desaparecem, não podem, não quero, volta, volta aqui, a esta terra, tenho tantas saudades tuas, tantas.. tantas.
Morreste. Estupidamente. E contigo, um bocado de todos nós morreu também. Não é justo. Não é. Puta de doença, porquê, porquê, porquê a ti? De toda a gente má que só está cá para fazer mal aos outros, porque te calhou a ti, meu tio querido? Odeio esta merda desta impotência que nos torna pequeninos e descartáveis. 
Vou acreditar que o teu imenso coração continua a bater, de uma forma diferente, e conforta-me pensar que daí de cima, iluminas as estrelas com o teu sorriso.

Wednesday, May 9, 2012

Foi ao som desta música. Nem ouvi a letra, nem quis ouvi-la. Foi perfeito. Completo, intenso. Perdi-me.


Move on

Acho que é bem possível que estes últimos dias, tenham sido os dias. Em que tenha olhado para ti com meros olhos mortais e que, mais uma vez, não tenha encontrado nos teus qualquer sinal de emoção e paixão. Pelo contrário, vejo tédio, cansaço, inércia, indiferença. É inevitável reviver, com isso, as sensações de um passado recente. Coisas que definitivamente não tenho quaisquer intenções de revisitar. 
E isto foi o suficiente para finalmente te conseguir começar a ver da forma que sempre o devia ter feito. Como um amigo. Com toda a imparcialidade que isso implica. Na realidade, somos irmãos. Somos do mesmo sangue. Não entendo como não quis perceber isso antes.
Já não quero mais do que isso. Não quero mais de ti. Não faz sentido. Agora, sim, estou pronta a ser tua amiga. Sinto-me, agora sim, leve e livre. 

Monday, May 7, 2012

Foram apenas cinco segundos, não mais do que isso. Em que, por entre luzes brancas intermitentes, miúdos à procura de aventuras, bebidas cilíndricas e coloridas, uma batida viciante, a dormência das horas e a estranheza do lugar, os teus braços envolveram a minha cintura e o meu rosto tocou os teus lábios. Cinco segundos. A tua respiração, o teu cheiro, a tua pele, o teu calor, tudo o que já sei que quero. Cinco segundos. Durante os quais fechei os olhos e acreditei que me ia perder, o álcool liberta tudo e inventa mentiras e eu não quero enganos, mas queria ter-me perdido, mas não assim, não com a desinibição falsa, não no barulho das luzes, não porque "e porque não". Queria que fosse porque sim. Ter horas para conscientemente me perder em ti. 
Talvez tenha sido por isso que não me deixaste tocar a tua orelha.
Para que ninguém no dia seguinte queira trocar a vergonha pelo orgulho. 

Ser bipolar nos sentimentos é isso mesmo. Não deixar que o sonho incitado pela neblina da lua se torne num pensamento.
And let the reality do its thing. Mind over body. Reason over heart.


Friday, May 4, 2012

A vulnerabilidade de se estar doente é o mundo poder esmagar-nos com um fio de cabelo.
Não sei ser forte nestes momentos.
Nem vou fingir.



Wednesday, May 2, 2012

Vou deixar de olhar para os teus olhos. Vou deixar. Vou-me beliscar por cada vez que lá vir coisas que me mexem, de cada vez que lá vir coisas que lá não estão. Vou deixar de ouvir palavras que não me dizes. Vou deixar de acreditar que sinto as coisas e que não me consegues mentir, vou-me deixar das tretas que me fazem acreditar que também sentes. Vou acreditar com muita força que não sentes nada. 
Vou dizer isto em voz alta várias vezes, até ser verdade.