Saturday, August 31, 2013

Vou observando-te muito ao de longe. Camuflada entre ondas invisíveis de tecnologia, fingindo que ainda estás ao meu lado, desejando-me sonhos cor de rosa, para que adormecesse em bem.
Com a já alguma distância recordo, doce, tudo o que contigo aprendi. Todas as coisas mais significativas aconteceram contigo ao meu lado. Dando-me luz e orientação, força, carinho e um amor que não acreditei que se pudesse esgotar.

Os filmes, as músicas, as ideologias, as tuas teorias utópicas de como o mundo devia ser. Pensar que tantas vezes te critiquei quando te deveria ter apoiado incondicionalmente, como sempre fizeste comigo, bem mo disseste vezes sem conta. Perdoas-me por isso? És um visionário e incompreendido. E odiava que não entendessem a tua visão. Sempre estiveste mais além e foi um privilégio ter sido o teu amor.

Tudo passou agora. 

E mantenho a ligação mórbida que um dia o universo uniu com uma energia intransponível e inexplicável.  
Espero chegar lá em breve. Ao sítio onde a tua memória de voz, olhar e toque seja uma sombra indistinta.  Por muitas voltas que o meu caminho dê. Tu estarás lá sempre, ainda que os meus olhos não voltem a encontrar os teus, tal como a terra nem sempre vê o sol. 

Monday, August 19, 2013

Voltamos sempre ao princípio

Parece inacreditável que, passados mais de dez anos, eu tenha retomado este blog e conseguido recuperar o seu nome. Foi aqui que tudo começou.
Aqui, e agora, sim. Voltei a casa. Posso agora retomar esta página em branco. 
Tenho muitas histórias para contar. Tenho uma vida inteira. Vou começar devagarinho de onde o deixei. Será um texto a vários actos. 

Era uma tarde de verão (ou seria ainda de primavera? não consigo recordar-me da quantidade de roupa que trazia). Sei que tomava um café queimado, numa mesa de plástico preto na livraria Barata da faculdade, cheirava a livros novos e ao perfume ácido de uma empregada loira. Eu escrevia num caderno espiral azul, páginas lisas, caneta bic. Divagava sobre romances imaginários e impossíveis. Ouvi uma voz. Duas mesas à minha frente, um rapaz de calções com bolsos falava com duas miúdas sobre viagens. Levantei os olhos dos meus rabiscos e fixei os dele. Ele não reparou em mim. Os seus olhos, de um castanho profundo, brilhavam, sorriam, davam vida aos seus contos. Das mãos que se moviam para contextualizar lugares, pessoas e sons, saiam dedos rectos, longos, intelectuais [não podia imaginar que essas mãos um dia me pudessem vir a tocar]. A certeza e a segurança no seu texto. Talvez a força no olhar. A determinação na sua voz. Não sei o que foi, se uma daquelas coisas, ou conjunto de todas elas. Não sei como, nem porquê. Tinha 22 anos e tinha-me apaixonado naquele momento. Mal sabia que me tinha deixado cair, sem querer, num precipício. Que tinha encontrado o homem da minha vida. 

Olhando para trás, assomam-se lágrimas aos meus olhos. A saudade. A leveza da ignorância do que estará para vir dali para diante. Tudo ali era possível no meu imaginário. Tudo. Menos que aquele homem inatingível viesse a olhar para mim. Não me passaria pela cabeça a história que iríamos viver juntos. 




Saturday, August 10, 2013

odeio-te. odeio que tenhas seguido a tua vida e decidido ser feliz sem mim. odeio que revisites todos os nossos lugares e os violes com outra pessoa. odeio que tenhas banalizado a tua alma e a entregue a alguém que não eu. odeio não te esquecer. odeio odiar-te e mais ainda o oposto.
odeio a tua felicidade. odeio a tua exposição pornográfica da mesma. odeio que me tenhas mentido. odeio que me tenhas falhado. odeio-te.

Sunday, January 13, 2013

Bem que me posso mentir, dizer que o tempo já passou e que levou consigo qualquer afecto por resolver, posso dizer, como quem repara na chuva lá fora, que não sinto nada, que ultrapassei isto ou aquilo. Posso morder os lábios para não sorrirem quando vem uma memória de ti, ou fechar os olhos para não denunciarem o brilho ao verem os teus, posso ser outra pessoa, inventar que não quero isso para mim, mas simplesmente não é verdade. 
Só consigo respirar quando estás lá. E é isso. 

Thursday, December 13, 2012

one day

Aqui e agora tudo parece muito (demasiado) próximo. Espreito sem qualquer direito por entre janelas entreabertas a vidas privadas. Não pode ser. Agora é real. 
E retraio-me num instinto reptiliano. 
Há que encontrar realidades que não ofendam, carinhos que não machuquem, acções que não destruam. Não há direito. Tudo o que vem depois disso é que terá de estar errado.
Tem de correr espontâneo o livre arbítrio do desejo, ele não pode ser feio ou inoportuno. Têm de se inventar racionalidades e pragmatismos que, no dia a dia, nos proíbam de viajar em conjecturas.
Apenas queremos ser amados. Queremos ser acarinhados e admirados, compreendidos e observados como realmente somos, belos, puros, livres. Queremos essa beleza por outros olhos. 
Se o amor nos cega para o mundo, então porquê é que um dia, um dia tão vulgar como outro qualquer, nos clareia a visão para tudo o que nos rodeia? E o que distingue  aquilo que queremos daquilo sem a qual não podemos passar? Para mim, só pode ser a última. Mas a última não cabe neste mundo de obrigações, deveres, regras e horários, porque as coisas têm de dar jeito, ser práticas e ficar em caminho. Tão inconveniente é a paixão que a agendamos para um dia mais livre.
Um dia ela chega e nós estamos preparados. 
Um dia, não temos escolha. 


Sunday, December 9, 2012

E só agora? Cresceste? Tens todas as respostas? Terás feito todas as perguntas certas?
Qual é o final feliz? Não lhe podes chamar de feliz quando vais deixar tudo como está, quando desistes e arrumas bagagem, não é justo, não quero. Tudo agora é um adeus, uma possível última partilha, uma rotura, um assumir que isto nunca mais volta a ser isto e que nós nos vamos perder lentamente algures numa fronteira. Qual é a felicidade disto? Qual é a epifania? E o que de bom irá ela trazer?
Estás disposto a colocar-nos num passado contextual, num intervalo da tua vida, num bocado de tempo que um dia as fotografias te vão lembrar como, "someone that i used to know".
No fair, not at all.
Não gosto. Vai à merda.

Monday, November 12, 2012

Esta é para ti, só para ti

Se me tivessem dito há uns meses atrás que à data de hoje se teria aberto este fosso entre mim e ti, teria mandado calar, gozado com as palavras ocas de quem claramente não conhecia a ligação que tanto tempo demorámos a consolidar entre nós.
Mas aconteceu. Cavou-se um buraco por onde se esvaem, umas atrás das outras, todas as tentativas de alcançar o outro lado.

Contigo varri todo o meu leque de emoções, por ti já experimentei todos os sentimentos. Entre o tudo e o nada conseguiu sobreviver qualquer coisa pelo meio que será sempre mais do que isto. O que aconteceu? Não sei. Um dia senti-me cansada e decidi ficar quieta no meu canto, pedi as cartas e paguei para ver. O mundo continuou a girar, tu continuaste a ser tu, com as mesmas flutuações, eu continuei a ser eu, com as mesmas inseguranças e fantasias. Mas não voltámos a ser nós. O B e a A, fomos que tempos essa parelha de palavras, essa dupla de cumplicidade irreproduzível, esse anel invisível do para-o-bem-e-para-o-mal-até-que-a-morte-nos-separe, essa promessa impronunciável de estarmos lá para o que vier. 
Se me perguntares se faz diferença, faz. Se me perguntares se me fazes falta, sim. Se me perguntares se tenho saudades, muitas. Se me perguntares se sou a mesma, sou menos. 
Ainda preciso de cuidar de ti, abanar-te de vez em quando, um calduço na testa, um beliscão no braço, sim, porque mesmo à distância procuro saber de ti. 
Agora somos outros? Talvez. Vais embora, conseguiste-te libertar. Desejo-te sorte. Muita, o amor, o frio na barriga, a aventura, a emoção, a perdição. Cuida de ti. Fá-lo por mim. E se o vires, diz ao sol que serene, que não precisa de abrir os braços, cantar alto, pôr o dedo no ar ou levantar um cartaz. O sol só precisa de aparecer. E a quem o não reconhecer, ou porventura o quiser ensombrar, que feche as cortinas, que se esconda debaixo da cama, que vá para o raio que o parta, porque há sempre outro pedacinho da terra a esbaforir-se em rotações só para o privilégio de umas horas dele.
Será que vai voltar a fazer sentido? Vai fazer sempre. Aqui ou na China ou em Londres. Este lugar, este instinto maternal, este colo, este abraço, este copo com que brindo, este sorriso, gargalhada, a espontaneidade, a boleia, as conversas no caminho, isto tudo e mais o que não vês, será sempre teu.
Por isso, não te desculpes, não há pelo o que o fazer. Sê mais e maior, sê tu, o B tal qual eu sempre vi. Orgulha-te disso. 
Eu estarei sempre aqui.