Monday, November 12, 2012

Esta é para ti, só para ti

Se me tivessem dito há uns meses atrás que à data de hoje se teria aberto este fosso entre mim e ti, teria mandado calar, gozado com as palavras ocas de quem claramente não conhecia a ligação que tanto tempo demorámos a consolidar entre nós.
Mas aconteceu. Cavou-se um buraco por onde se esvaem, umas atrás das outras, todas as tentativas de alcançar o outro lado.

Contigo varri todo o meu leque de emoções, por ti já experimentei todos os sentimentos. Entre o tudo e o nada conseguiu sobreviver qualquer coisa pelo meio que será sempre mais do que isto. O que aconteceu? Não sei. Um dia senti-me cansada e decidi ficar quieta no meu canto, pedi as cartas e paguei para ver. O mundo continuou a girar, tu continuaste a ser tu, com as mesmas flutuações, eu continuei a ser eu, com as mesmas inseguranças e fantasias. Mas não voltámos a ser nós. O B e a A, fomos que tempos essa parelha de palavras, essa dupla de cumplicidade irreproduzível, esse anel invisível do para-o-bem-e-para-o-mal-até-que-a-morte-nos-separe, essa promessa impronunciável de estarmos lá para o que vier. 
Se me perguntares se faz diferença, faz. Se me perguntares se me fazes falta, sim. Se me perguntares se tenho saudades, muitas. Se me perguntares se sou a mesma, sou menos. 
Ainda preciso de cuidar de ti, abanar-te de vez em quando, um calduço na testa, um beliscão no braço, sim, porque mesmo à distância procuro saber de ti. 
Agora somos outros? Talvez. Vais embora, conseguiste-te libertar. Desejo-te sorte. Muita, o amor, o frio na barriga, a aventura, a emoção, a perdição. Cuida de ti. Fá-lo por mim. E se o vires, diz ao sol que serene, que não precisa de abrir os braços, cantar alto, pôr o dedo no ar ou levantar um cartaz. O sol só precisa de aparecer. E a quem o não reconhecer, ou porventura o quiser ensombrar, que feche as cortinas, que se esconda debaixo da cama, que vá para o raio que o parta, porque há sempre outro pedacinho da terra a esbaforir-se em rotações só para o privilégio de umas horas dele.
Será que vai voltar a fazer sentido? Vai fazer sempre. Aqui ou na China ou em Londres. Este lugar, este instinto maternal, este colo, este abraço, este copo com que brindo, este sorriso, gargalhada, a espontaneidade, a boleia, as conversas no caminho, isto tudo e mais o que não vês, será sempre teu.
Por isso, não te desculpes, não há pelo o que o fazer. Sê mais e maior, sê tu, o B tal qual eu sempre vi. Orgulha-te disso. 
Eu estarei sempre aqui.


Sunday, November 4, 2012


Tinha prometido a mim mesma que não voltaria a percorrer  esta estrada. Mas ela surgiu à minha frente, mais sinuosa e estreita do que o caminho habitual, cheia de sinais de aviso, exclamações e bandeiras vermelhas. Fui por impulso, como habitual, fechando os olhos, franzindo a testa, caminhando a medo, às escuras, não tenho veículo para isto, pensei. E, ainda assim, fui. Quilómetros e quilómetros percorridos até um beco sem saída. 
Agora é percorrê-lo de volta para trás, agarrada à convicção de que, em breve, demore-se esse breve o que quiser, hei-de voltar a estar novamente nesse sítio seguro. Não quero mais disto. Vou deitar fora os impulsos e arrancar do peito esta infantil alegria de viver cada momento. 

Tuesday, July 17, 2012

If you're not there when I need you, please, leave me alone.



Saturday, July 14, 2012

Hold me, thrill me, kiss me, kill me




"E dêem-me a estupidez - se a outra opção é tédio." Pedro Chagas Freitas

Tuesday, July 10, 2012

Vou. Porque tenho de ir. Porque não tenho como o contrariar. Todas as células do meu corpo me dizem, tens de ir. Porque não quero que sejas só alguém que eu conheci.
Se chamas por mim. Vou.


Sunday, July 8, 2012

Tenho os pés fora do chão. Estou tonta, inebriada, fora de mim, uma vontade incontrolável de me deixar cair e cair e cair e, mesmo que me estatele no chão, que ninguém me apanhe, que ninguém me segure, que ninguém me prenda pelo braços, porque cair é a única forma de ir. E eu quero ir. Eu vou. Já fui. Quero essa vertigem de te ver, essas borboletas no estômago quando chegas, essa energia do outro mundo quando me tocas, essa vontade, a vontade.. que não se apaga, que não se esgota, que não se cura, que não tem fim.


Tuesday, June 26, 2012

E de repente, estou feliz porque estou, estou feliz porque sim. Estou feliz porque tenho o coração cheio, de tudo e de nada, tenho uma energia leve que me move, que me faz tremer, que me dá nervoso miudinho, que me faz sorrir sozinha, sem motivos, porque abri o peito, que tinha fechado para o mundo, e porque as nuvens desfizeram-se dos meus olhos. Abri-os e vi outros azuis, porque o amor, seja este no formato que for, perdure ele por duas horas ou por duas vidas, forma-se no sorriso dos lábios que me beijam, nos braços que me apertam, na vontade que faz baixar guardas e correr atrás do que não se pode perder, que estas emoções têm de se agarrar a duas mãos e gritar a plenos pulmões. 
Porque tens o sabor do mel e da canela, o cheiro de flores mornas, madeira, a óleos orientais e a gengibre, tens o toque da seda, do pêssego, da pimenta e as tuas mãos são as águas cristalinas do Índico onde sei que vou submergir até perder o fôlego. 
Não. Não vou fugir. Quanto muito vou correr. Para o lugar onde já sabes.